terça-feira, maio 31

Os novos ídolos do Jota

A lista, para qualquer leitor de bom senso, é infindável: Itagiba, Garotinho, Rosinha, Sarney, presidente do TRT, Wagner Victer, Sirkis, Júlio Lopes, Ronaldo Cezar Coelho....
O Jotaço depois da minha gestão passou a ter novos parceiros. Antigamente, recomendada era só do presidente da República para cima. Hoje, descobri outro dia que até o porteiro do meu prédio recomendou um "ninguém merece" para a coluna da Antônia Leite Barbosa.
Aliás, alguém viu o caderno sobre disfunção erétil? Dizem que é recomendada do Israel.

Prazer, Castelo


eu, escondendo o copo da foto

Muito prazer. Para os que nasceram ontem, sou um veterano colunista político da época em que este provecto jornal tinha mais leitores do que amigos. Se não me falha a memória, nasci em Teresina, em 25 de junho de 1920, filho de paraíbas estranhamente batizados como Cristino e Dulcila.

Eu venho de longe, como diriam o Brizola e o Octavio Costa. A primeira experiência jornalística foi num panfleto estudantil de minha terra, A Mocidade. Depois de passar por incontáveis títulos, entre eles os finados Diário Carioca, O Jornal e A Noite, cheguei ao Jornal do Brasil em 1962.

Nessa época, as charretes ainda circulavam com tranqüilidade na Rio Branco, onde funcionava a antiga sede do jornal. Apreciava a vida pacata no balneário, onde o uísque corria solto e os políticos conspiravam em palácios mais elegantes. Infelizmente, ocorreu ao Doutor Brito despachar-me para o Cerrado - onde o uísque também corria solto, porém os fotógrafos eram mais camaradas e não me enquadravam abaixo do pescoço.

Ao longo dos anos 60, ergui minha cabeça chata para enfrentar o regime autoritário. Cercado de jovens promessas como Israel Tabak e Villas-Bôas Corrêa, ajudei a construir a reputação de independência do noticiário político deste matutino. Do meu espaço na página 2, debochei de generais, varri coronéis de província e resguardei os alicerces da República.

Em 1982, 12 anos depois da primeira candidatura, consegui garantir meu jazigo perpétuo no mausoléu da Academia. Como a política já estivesse muito chata desde o fim da ditadura, mudei-me para o São João Batista em 1. de junho de 1993 - a tempo de escapar daquele dentuço, o Fernando Henrique, e de seus discursos intermináveis sobre o frango e a dentadura que o brasileiro passou a comprar graças ao Plano Real.

Foram 31 anos de Coluna. Escondido atrás da minha velha Remington, repreendi e aconselhei 13 presidentes. Sobrevivi a três Constituições - de 1946, 1969 e 1988 - mas não me lembro muito bem do que elas diziam, porque estava bêbado. Depois da minha partida, outros senhores ocuparam a página 2. Mas eu não tenho nada a ver com isso, e nem trabalho mais aí.