quarta-feira, junho 29

Chatô made in Paraguay


Esse cabra pensa que vai me imitar? Só rindo!

O leitor remanescente do JB não precisa estudar psicologia por correspondência para entender a obsessão do Acionista, nos últimos anos, em comprar os restos mortais dos Diários Associados.

Desde que resolveu apostar alguns tostões no Centenário, o empresário baiano tem revelado, nos métodos de trabalho e na fineza de trato, a irresistível vontade de emular um escroque de outras épocas: Assis Chateaubriand.

A diferença, imperceptível apenas ao nosso personagem, é pouco mais do que ligeira. Chatô construiu um império; Tanure vive da carniça de antigos veículos, achincalhando o fio de credibilidade que lhes resta.

Na última sexta-feira, a fixação ressuscitou um gênero adormecido do nosso jornalismo e consagrado por Chatô: o editorial de difamação.

O título da peça, dirigida ao empresário que assume a presidência da ACRJ, era "Vergonha". Mas quem ficou ruborizada, ali na nuvem presidencial, foi a Condessa. Veja o porquê:

Vergonha

O Rio de Janeiro inaugura hoje uma das páginas mais tristes de sua história econômica e social. A Associação Comercial (ACRJ), entidade já capitaneada pelo patrono do empresariado brasileiro, o Barão de Mauá, é a partir de agora bastião de um dos mais excelsos representantes da decadente plutocracia carioca: Olavo Monteiro de Carvalho, conhecido bon-vivant das rodas ociosas no Brasil e no exterior.

Que belo exemplo o Rio de Janeiro dá aos jovens empreendedores do Estado e do país. Em lugar da meritocracia, de uma trajetória de geração de prosperidade e empregos, a ACRJ, do alto de seus 185 anos de existência, presta-se a um culto ao vazio.

O novo presidente tem como grande patrimônio de realizações sua presença recorrente nos conclaves de fidalgos e desocupados - movida pelo brilho de superfície; retratada pelo flash dos paparazzi. Tem-se a impressão de que a ACRJ substituiu o elogio ao trabalho pelo elogio à celebridade. A essa condição foi alçado o novo presidente pela herança e pelos amigos fátuos que amealhou ao longo da vida com a combustão do patrimônio familiar e de terceiros.

É de se lamentar que alguns membros do governo federal, desorientados na arena política, prisioneiros da ortodoxia econômica e reféns dos últimos acontecimentos que estarrecem o país, pareçam ter emprestado o seu nome ao convescote de hoje e a esse insulto ao empresariado. A ACRJ, que já pautou no passado o pensamento e a ação das classes empresariais no Brasil, é varrida para o canto escuro da irrelevância. (...)

O Centenário faria melhor, bem melhor, se informasse os verdadeiros motivos da ira de NT contra o ofendido. Algumas pistas: complexo de inferioridade, síndrome de rejeição no high society carioca, trambiques na venda do Banco Boavista e da Gazeta Mercantil.

Ao leitor, resta constatar a esquizofrenia do jornal que, apesar de publicar cinco colunas sociais diárias, ocupa sua página mais nobre para atacar um empresário com as expressões "decadente plutocracia carioca", "bon-vivant das rodas ociosas", "culto ao vazio", "brilho de superfície" e "conclaves de fidalgos e desocupados".

Para ilustrar o verdadeiro problema do Acionista, uma notinha de Ancelmo Gois publicada no site no.com.br em 14/06/2000:

Greve no golfe - O distinto Gávea Golf & Country Club resolveu tomar partido no duelo entre os empresários Olavo Monteiro de Carvalho e Nelson Tanure. Segundo um habitué, desde que começou a briga em torno do banco Boavista, Tanure anda com dificuldade de encontrar parceiro para jogar golfe no fino clube carioca.

Maria Mensalão


ACM: Hilde quer pegar o netinho

Depois da Maria Gasolina, da Maria Chuteira, da Maria Parafina e da Ana Maria Tahan, surgiu mais uma caricatura a provar a diversidade do gênero feminino no país: a MARIA MENSALÃO.

No último sábado, este Avenida mostrou que a colunista Hildegard Angel anda encantada com o físico do secretário municipal de Proteção aos Animais, Vitor Fasano, e do vice-prefeito do Rio, Otavio Leite - "mais bonito e encorpado", segundo ela.

Excitada com as últimas notícias de corrupção em Brasília ("Tem algum pra mim?", teria perguntado de seu terminal na Sala da Sabedoria), a Maria Antonieta do colunismo social se saiu com a seguinte nesta quarta:

DOIS DEPUTADOS que estão estrelando a novela da CPI dos Correios, ao vivo e a cores na TV, põem no chinelo vários galãs da novela das oito. Além de bonitos, os gatos federais Antonio Carlos Magalhães Neto e Eduardo Paes, muito bem articulados, dão um show de bola em suas argumentações... VOVÔ ANTONIO Carlos tem mesmo que se orgulhar. ACM Neto estréia em grande estilo como seu herdeiro político...

A fatia de cada uma


A editora-executiva do JB (à esq) espera ansiosamente a hora de falar:
Até agora não foi possível saber o que é mais amarelo: a blusa ou o cabelo



Jô Soares encerrou o programa de ontem fazendo uma homenagem à mulher brasileira, "tão bem representada aqui, com tanta inteligência, tanta dignidade e tanto glamour."

Sei lá, acho que o glamour era da Ana.

Doutora Havanir ou Senhorita Suely?

Ana Maria buscou a câmera, apertou os dedos contra a blusa cor de ovo, piscou a maquiagem rosa brilhante e fez o seu discurso para vereadora:

- É preciso repensar o tamanho do Estado brasileiro! O eleitor tem que amadurecer! Tem que pensar o seu voto! Meu número é 56!

E então, quando o telespectador mais insone já pregava os olhos, lançou uma idéia inusitada:

- Tá na hora de convocar uma Assembléia Nacional Constituinte. Tem um monte de gente muito séria pensando isso.

Engraçado. Achei que fosse só o Itamar.

As conclusões!

- A reforma política é essencial
- O leitor tem que pensar no voto
- A campanha começa em janeiro
- É preciso repensar o tamanho do Estado brasileiro
- As CPIs vão revelar algumas coisas
- O país vai dar uma parada.


Gostei das conclusões da Ana. Mas entre estas previsões e enunciados inteligentes faltam aquelas mais comuns, que a gente ouve todo ano, como:


- Um ator global vai adoecer
- Um grande acidente vai atingir uma cidade do mundo
- Um grande cantor vai falecer
- Um casal famoso vai se separar
- Um jornal centenário pode fechar este ano

Chilique

"Ai, ai, agora sou eu que mando! Hahaha!"

A imitação de Lula, com os bracinhos para cima, foi o ponto alto da participação de Ana Maria no programa do Jô. O gordo chegou a pedir que ela repetisse a performance.

Pronto, agora o Brasil já conhece o que, até então, só a tímida redação do Jota conhecia.

Bóbvios pululantes

Tenho cada vez mais orgulho do meu legado. E ao ver esta moça loura e bonita aí no Jô Soares Onze e Meia (não é esse o nome do programa?), me convenço de que tudo está no rumo correto, que eu deixei aí na mão do Acionista.
Enquanto as outras mulheres porres da mesa ficavam falando uns números (informações sobre partidos, etc), nossa loura bonita soltava comentários ótimos como "Ah, esse todo mundo conhece" (para explicar por que o Gabeira não seria "Baixo Clero"") e "Ah, o líder é aquele cara que o governo só procura quando precisa dele para voto". Observação pertinente e perspicaz, que na hora em que eu entender vou comentar.
Só sei que é um alívio ter essa moça como editora, e não como repórter, escrevendo. Vixe Maria, imagine se ela escreve um "A história se repete, mudam apenas os personagens"(sacada genial dela no início do programa)? Os leitores iriam achar que em breve o Jotaço iria escrever que tem muita gente na China. E viva o óbvio!

Uma coisa é uma coisa...

Pessoa equilibrada que é, Ana Maria volta suas baterias contra o denuncismo: "Isso é muito ruim".

Ué, e a matéria sem provas em setembro do ano passado?

Eu, hein...

Meio nervosa, hein...

Ainda no primeiro bloco, Lúcia Hippolito falou sobre uma tese que escreveu quando jovem. Cristiana Lobo brincou dizendo que não era daquele tempo. Comentário bobo, vá lá.

Eis que nossa loura fatal, sem entender a brincadeira e achando que a colega global referia-se ao tema e não à tese, soltou uma bronca: "Isso é história, não interessa se é do seu tempo ou não, é obrigação saber". Sorte que todo mundo estava falando ao mesmo tempo e ninguém percebeu direito.

Que fúria é essa...

A dona da barriga

A editora executiva do Jota acaba de reivindicar para si, em cadeia nacional, a autoria de um dos maiores micos da história recente do Centenário: a publicação, em off e sem provas, da denúncia do mensalão.

- FUI EU que escrevi essa manchete. EU SOUBE aqui no Rio e pedi pra localizarem lá em Brasília.

Depois, explicou o motivo de o jornal ter sido desmentido pelo Miro Teixeira - que teria denunciado o mensalão a seus bravos repórteres - e ignorado durante oito meses por todo mundo:

- O Miro não denunciou (o mensalão), ele confirmou. O que ele desmentiu foi o denunciou.

Ah, bom.

Vai começar!

Prepare seu coração! Nos próximos minutos, vamos acompanhar, em tempo real, a performance de Ana Maria Tahan no Jô Soares. Pela primeira vez, o amigo do Derico enfrentará dificuldades para falar mais que o entrevistado. Um olho na TV e outro no Avenida!

terça-feira, junho 28

Que comam brioches!


Avó da Hilde antes da guilhotina

HILDEZINHA ETIQUETA vai ensinar: é muito feio pedir para ser convidado para uma festa. E, quando se é convidado, também é feio pedir para levar alguém (mesmo que seja um parente), sobretudo quando se trata de um evento pessoal como a comemoração do aniversário do anfitrião. Se a pessoa que se quer levar não conhece o aniversariante, a coisa fica estranha. E se o aniversariante conhece a pessoa em questão e não a convidou, pedir para levá-la é pior ainda... [JB, 28 de junho de 2005, pág. A16]

segunda-feira, junho 27

Vendo na telinha e comentando na caixinha


Ana no sofá com FH, aquele que teve um filho com uma jornalista

Olá, amigos. Meu nome é Ana Maria Tahan e eu estarei no Programa do Jô desta terça-feira para contar tudo sobre o mensalão, aquele esquema de propina que o meu querido JB noticiou há nove meses sem ligar muito pra esse negócio de prova. Deve ter sido por isso que a concorrência fingiu não ter lido, aquele bando de invejosos!

Não tem tu, vai tu mesmo



Espetacular a lavagem de roupa suja na seção de quadrinhos do caderno B de hoje. Por e-mail, o leitor Rafael Iskin grita em caixa alta para o titular Ota, que assumiu o espaço recentemente:

"A COLUNA HQ FICOU UMA PORCARIA!!! O colunista anterior (Rodrigo Fonseca) era muito bom exatamente porque levava a sério a crítica de HQ. O Ota não tem esse perfil, a coluna dele é uma piada (no mau sentido da palavra)..."

A resposta do desenhista é ainda mais surpreendente:

"Valeu pelos elogios inafianos, Rafael, mas, na boa, só estou no lugar do Rodrigo porque ele pediu demissão..."

Tapa-buraco é isso aí! Dá-lhe, Ziraldo!

domingo, junho 26

A moral do cardeal é a cara do JB


Dom Eugenio: moralismo de paróquia

Faz tempo que ele não é mais o arcebispo do Rio. No entanto, continua repetindo todo sábado, nas páginas de opinião dos jornais cariocas, o discurso medieval pela tradição, família e propriedade. Sem esquecer, claro, a defesa intransigente dos bons costumes.

O moralismo de dom Eugenio Sales, amigo do velho polaco e entusiasta do Papa Ratzi, é a cara do JB - o jornal que acusa o concorrente de apoiar o governo federal enquanto obedece, como um invertebrado, às ordens do Palácio Guanabara.

Veja o que o velho hipócrita - o bispo - escreveu no sábado 18 nas páginas do Centenário:

Impressiona vivamente o silêncio que reina sobre a eficácia do meio atualmente existente, (sic) para fazer frente ao flagelo que ganha terreno: a abstinência sexual.

(...)

Toda campanha em favor das "camisinhas" é fator de grave incentivo à difusão do HIV. Elas, por vezes, se rompem. E o desconhecimento dessa verdade naturalmente estimula a multiplicação das relações sexuais com parceiros ocasionais. As campanhas publicitárias em prol do seu uso promovem, na realidade, o aumento da promiscuidade e, portanto, das possibilidades de contágio.


Pelo visto, dom Eugenio está em campanha por uma vaga de editorialista no JB.

Troféu manchete bizarra

A primeira página do Jornal do Brasil sempre primou pela criatividade. Em 14 de dezembro de 1968, usou o cantinho da previsão do tempo para denunciar a gravidade do AI-5. No outro lado do cabeçalho, estampou o aviso da censura: "Ontem foi dia dos cegos".

A ousadia do Centenário voltou a brilhar em 12 de setembro de 1973. Proibido de publicar títulos e fotos sobre a queda de Salvador Allende no Chile, o JB compôs uma capa só de texto, em quatro colunas estendidas.

Nas duas ocasiões, a Condessa, que agora fica lendo a Harper's Bazaar em sua nuvem presidencial enquanto eu e meus dois amigos trabalhamos no Avenida Brasil, quase parou na delegacia.

De uns tempos para cá, a primeira página do seu antigo jornal ganhou outras características, ora evidenciadas na crise do mensalão. Mas a campeã, publicada em 10 de fevereiro deste ano, está aí em cima.

Em vez de anunciar o título da Beija-Flor, o Jota, sempre ousado, preferiu exaltar o segundo lugar da Unidos da Tijuca. O resultado, TIJUCA, INOVADORA INTRUSA NO REINO DA BEIJA-FLOR, é uma das manchetes mais incompreensíveis da história do jornalismo.

Momento de reflexão


Jornalistas na rua: Avenida Rio Branco, 30 de agosto de 2004

Ruy Mesquita, diretor do Estado de S.Paulo, denuncia a "murdochização" de certa imprensa brasileira:

É a transformação da imprensa exclusivamente num meio de ganhar dinheiro como qualquer outro, que é o caso do [Rupert] Murdoch, cujos jornais, e ele pessoalmente não têm nenhuma posição política, nem nenhuma posição ideológica. Ele tem uma posição empresarial e um poder empresarial fabuloso que permitiu que ele comprasse aquele ícone da imprensa mundial que era o Times de Londres, e o transformasse em um jornal sem nenhum caráter, sem nenhuma alma. E para ganhar dinheiro com o Times ele chegou a esta coisa impensável alguns anos atrás, de transformar o jornal Times em um tablóide.

Aqui no Brasil nós começamos a ter essa ameaça concreta que se traduziu na compra do Jornal do Brasil e na compra da Gazeta Mercantil por um empresário que nunca na vida dele tenha tido qualquer relação com imprensa. Eu não sei qual é o interesse dele, mas evidentemente que não é o interesse de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições ou para ajudar o Brasil a se transformar numa democracia cada vez mais perfeita.

(Entrevista ao Observatório da Imprensa na TV, 12/04/2005)

sábado, junho 25

O poder é afrodisíaco (o meu em cash, por favor)


Otavio Leite, o Brad Pitt da política fluminense

A colunista Hildegard Angel não costuma poupar elogios à turma que ocupa o poder - seja de direita, de esquerda ou muito pelo contrário.

Neste sábado, descreveu o secretário da Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, como "um líder jovem que impressiona por suas convicções e pelo bom trabalho que vem realizando para o governo Alckmin".

À governadora Rosinha, veja só, reservou o adjetivo elegante, antes de informar que ela e seu marido, aquele mesmo, estão "em clima de lua-de-mel".

"Ok, mas e a novidade?", inquieta-se o amigo leitor.

Bem, a novidade é que, desde a última terça-feira, a Maria Antonieta da crônica social passou a apelar para outro lado da vaidade dos nossos mandatários.

Segundo Hilde, o secretário municipal de Proteção aos Animais, Vitor Fasano, está "tão jovem que parecia ter feito plástica".

E o vice-prefeito Otavio Leite - tire as crianças da sala! - está "mais bonito e encorpado".

sexta-feira, junho 24

Na dúvida, mobral nela!


"Pô, tia Márcia, que vacilo, hein. Essa até eu sabia!"



Por mais de mil vezes eu já disse à Condessa que ler a coluna da Márcia Peltier é uma tarefa muito dolorosa para mim. Sinceramente, prefiro deixar a missão a cargo do Brito ou do Castello, mas cadê que a velha Maurina me dá sossego?

"Qué moleza? Senta naquela nuvem ali, ó!", ela berra.

Muito a contragosto, resgatei o Caderno B no fundo da gaiola do passarinho e fui direto à página 5.

Logo na primeira nota, sobre o publicitário da Nova Schin que recebeu no escritório uma coroa de defunto, o título me dá razão:

"De mal gosto"

Pronto. Não leio mais. Vou sentar na nuvem.

Choque e pavor na Casa do Bispo

Ziraldo Alves Pinto foi visto abrindo uma garrafa de uísque (bem longe da redação, é claro, porque ele quase não aparece) para comemorar a interrupção de nossa série sobre o Caderno B na quarta-feira passada.

Não perde por esperar, o preto véio.

quinta-feira, junho 23

Merecer não tem nada a ver com isso


"É para coluna social? Vá em frente. Faça meu dia.
Ó, o Itagiba é meu amigo, cuidado"


Aluguei, eu e meu amigo José Carlos Martinez (sim, ele veio pro céu), ex-presidente do PTB, a fita OS IMPERDOÁVEIS, com Clint Eastwood. Aluguei a fita porque aqui no paraíso ainda não temos DVD. Temos esse inferno (opa) que é o VHS. Pois bem, no final, quando Clint dispara o "merecer não tem nada a ver com isso", me lembrei de que não tinha lido a coluna da minha querida Antonia Leite Barbosa (aliás, muito melhor do que a daquele senhor meio esquisito chamado Fausto Wolfe). Adoro a coluna dela, principalmente porque ela tem uma variedade de informações muito grande de produtos e serviços. Veja o que pincei só nessa de domingo passado:

Cool isn't homogenized - Peguei essa frase emprestada de um anúncio da Ked's.
Homogeneizacão é b-o-r-i-n-g e você corre o risco de encontrar uma pessoa com a roupa igualzinha a sua!!!! Ai meu Deus! www.garotaversatilidade.com
Estava terminando uma aula de ioga, quando a professora Maira Jung borrifou uma essência deliciosa pela sala
Flô, à base de óleo de alfazema, conquistou sua avó e as gerações seguintes da família. Maira vende a essência na loja do Nirvana, no Jardim Botânico.
A história de amor dos sócios Roberta Campos da Silva e Flávio Salles, que se conheceram trabalhando em uma empresa de internet, rendeu casamento e ganha-pão. Tudo começou com a idéia de fazer um site para os próprios noivos dividirem com amigos e familiares a alegria dos preparativos para a cerimônia. Se inspirem acessando www.emotivo.com.br
A exposição Presença, em cartaz no Espaço Repercussivo, apresenta dois ensaios fotográficos
Lip Injection é a novidade para quem aspira ter os lábios de Angelina Jolie
As irmãs designers do Atelier Schiper criaram uma jóia multiuso (ao lado), que tem um imã na parte de trás e pode ser usada como brinco ou pin para colocar em blusas, bolsas ou bonés.

Já as meninas da Zhari lançaram os anéis Mix, com pingentes pendurados, em várias versões.

Eu particularmente detesto notícia, e acho que jornal que se prende a isso é chato e sem graça. Por isso vejo graça na Tonica. Ou na Leitosa, como gosto de chamá-la durante o sono, quando puxo seu lindo pezinho marcado de sandálias Grendene.
Fiquei só meio triste quando a Tonica colocou na seção NINGUÉM MERECE (que eu adoro), a seguinte nota sobre o jabaculê:

Ninguém merece: nas redações, convites, presentinhos, viagens e almoços acabam influenciando a linha editorial de alguns jornalistas. Especula-se que exista até um fee que algumas pessoas pagam a certos colunistas para se promover na mídia.

Ora, merecer não tem nada a ver com isso. Por acaso aquela gente toda merecia aparecer na coluna por ser notícia? Uai, apareceram porque vendem alguma coisa, e vender é legal. Eu, por exemplo, aprovaria uma coluna do Fausto Wolfe que vendesse anúncio de whisky. Pense bem nisso, Tonica. A gente merece.

terça-feira, junho 21

Bote fé no velhinho




Meus amigos João e Castelo andam reclamando de minha ausência. Mas aqui no Piantella celestial meu tempo é parco. Me divido entre jantares com meu amigo Ulysses Guimarães (com afogatto de sobremesa, claro) e leituras rápidas do nosso Jotaço. Conversando com Ulysses outro dia, comentamos sobre a pobreza do jingle de sua eleição, aliás, DOS jingles. Um deles era um remake terrível da canção do Dornelles original (bote o retrato do velhinho no lugar/o sorriso do velhinho faz a gente trabalhar) e o outro era uma canção lamentável cujo refrão era "Bote Fé no Velhinho". Uma lástima.
Foi conversando sobre jingles que me chegou por email a informação: o Jotaço está preparando um jingle para uma nova campanha publicitária, que será veiculada em horário nobre (nem tão nobre, já que o top de mídia será a Band ou a Rede TV).
Mais: fonte muito boa da Avenida Rio Branco me conta que o bochicho é esse: a nova música terá no refrão alguma coisa sobre o "furo" do Jota no caso do mensalão.
Me enche o coração de orgulho saber que o Jota vai anunciar em TV de novo - bem que comentei com a Condessa por aqui que valeria a pena mandar aqueles 80 vagabundos embora no ano passado. Economizamos uma nota preta e vamos agora atingir nosso público diretamente.
Agora, como será o Jingle do Mensalão do JB? Bom, uma vez que o próprio deputado Roberto Jefferson declarou no programa Roda Viva (vi aqui em cima, não tem net mas tem sky) que o JB voltou atrás já que o Miro também voltou, fico pensando nos versos ideais:
"Unidunidunitê/Ôôôôôôôôô/Você tem que escolher/Roer a corda do off ou então se vender" (com ritmo Trem da Alegria)
"Enquanto você se esforça pra ser/muito mais que um jornal/e não fazer nada igual/Eu do meu jeito aprendendo a ter pouco/Na carência total/Sem repórti e terminal/Controlando os gastos de cada mês/Pendurando a conta no português/Vou ficaaarrr/Ficar com certeza/Na maior dureza" (com Maluco Beleza, em homenagem aos atrasos de salário).
"Não dispenso dinheiro não/Belisa apura/Dinheiro não/Belisa apura/Dinheiro não
Quando a matéria for boa e der manchete para o domingão (côro)
Já preparo o espaço pro artigo negando que há mensalão (côro)
O doutor Itagiba tem que dizer que não há violência (côro)
Com toda minúcia/Sem o Delú-bio. (repeat) (Com ritmo de Beleza Pura, do mano Caetano)

Bom, depois dessa pausa para reflexão musical, vamos pensar juntos: o meu Jotaço fazer um jingle em homenagem a uma matéria que ele próprio recuou é sacanagem. Comentei isso com meu amigo Ulysses, que galhardamente, enquanto terminava de lamber o copo de poire tal e qual uma criança, sugeriu:
- Por que vocês não usam meu slogan de 1989?
Então fica assim, vocês daí de baixo, cantem comigo: em homenagem ao Jota, só mesmo "Bote fé no velhinho". Ainda que o velhinho seja algum amigo da casa que vá recomendar matéria.

segunda-feira, junho 20

Pais e filhos


FHC: "Poxa, vocês prometeram..."

Na conversa com Zuenir Ventura que preenche as páginas centrais do B de domingo, a maior revelação é que Antonia Leite Barbosa entrou para o time fixo de entrevistadores do caderno. Vai entender.

A segunda maior revelação veio de Ana Maria Tahan, editora executiva do Centenário, quando surgiu a pergunta sobre as razões do suicídio de Pedro Nava e o dever (ou não) de divulgá-las. Disse ela:

"Tivemos inclusive um caso recente: fala-se que FH teria tido um filho com uma jornalista. Isso deveria ter sido revelado ou não?"

Ué, já foi, né!

E como se não bastasse, Ziraldo emendou:

"Não só se fala como o menino é a cara dele!"

Na época, diretores de redação conversaram, discutiram, quebraram a cabeça e resolveram manter tudo em sigilo. Certo ou errado, o caso ficou restrito às rodas de jornalistas nas mesas de bar. Ontem, como quem não quer nada, Ana Maria jogou a história no ventilador.

Vale lembrar que foi ela a autora, na semana passada, daquela manchete em letras garrafais:

Jefferson acusa Dirceu... Mas prova, que é bom, nada.

Creio então que, no caso Fernando Henrique, Ana deve ter a cópia de um exame de DNA guardada na gaveta.

sábado, junho 18

Doutor Itagiba, o onipresente


Quando bate a fome de aparecer, ele mexe os pauzinhos no JB


Não é novidade para ninguém que o JB conserva um forte sentimento de amizade pelo secretário de Segurança do Rio, Marcelo Itagiba.

Hospitaleiro como poucos na imprensa nacional, o Centenário está invariavelmente disposto a abraçar as declarações sempre inteligentes do escudeiro de Anthony Garotinho.

Dia desses, o caderno Barra publicou uma matéria sob o título "Passeatas no alvo da polêmica", destacando uma divergência entre o político e um líder comunitário. Em sua palestra, Itagiba repudiava com veemência as manifestações públicas de moradores da região, que se diziam fartos de serem assaltados.

"É necessário, isto sim, que as pessoas parem de cheirar cocaína, principalmente em condomínios da Barra da Tijuca. Se fizerem uma passeata pedindo para que as pessoas cheirem menos pó, nessa eu estarei", vociferou, exercitando a habitual genialidade em uma das quatro aspas reproduzidas no texto (somando 15 linhas, contra apenas duas do pobre coitado que pensava diferente).

Até aí tudo bem. Afinal, quem essa gentalha pensa que é pra levantar faixas contra o governo apoiado pelo nosso glorioso periódico?

O fato relevante da matéria, na verdade, vem na imagem que a ilustra. Em cinco colunas, lá está o nobre secretário ao microfone, todo cheio de si, dentro de um terno impecável. No canto esquerdo, em letras miúdas, o crédito:

Foto de Marcelo Itagiba

Ué. Como assim?

Será que até isso ele anda exigindo??

sexta-feira, junho 17

Responderemos às provocações

Um dia depois da nota sobre o campeonato de bajulação, Hildegard Angel e Marcia Peltier abrem suas colunas, nesta sexta-feira, com a mesma foto de Patricia Tanure embrulhada num bizarro blazer de veludo. A notícia: a mulher do Acionista foi ao Fashion Rio.

Como retaliação, este blog passará a inspecionar diariamente o torneio de puxa-saquismo entre as peruas do Centenário.

Que, por sinal, também se derramaram em elogios ao estande do jornal no MAM: "Queridos, o lounge do JB está bombaaaaaando. Digam o nome de uma celeb e ela está lá" (Hilde); "os lounges, como sempre, viraram ponto de referência, como o do nosso querido JB" (Peltier).

quinta-feira, junho 16

Campeonato de bajulação


Colunista social do JB flagrada por raios x

É de conhecimento público que o JB foi invadido por um exército de colunistas sociais que arrisca enterrá-lo com o desonroso título de jornal das madames. Além de competir nas tinturas louras, as quatro senhoras que transformaram o Centenário num álbum de socialites encontraram novo motivo de disputa: o posto de maior puxa-saco do atual proprietário do jornal.

O campeonato de bajulação chegou a seu ponto mais baixo nesta quarta-feira, quando a colunista Marcia Peltier dedicou TODAS as fotos de sua coluna a uma festa temática country - existe algo mais ridículo do que uma festa temática country? - promovida pelas filhas do Acionista.

O evento ocupou uma página inteira entre as poucas que o jornal ainda consegue rodar em cores. As três herdeiras adolescentes posam em modelos tão vexatórios, que qualquer tentativa de descrevê-los seria inferior à simples exibição das imagens (aqui).

Apesar do exagero, a coluna da ex-apresentadora de telejornal não difere muito da concorrência. Uma consulta com a palavra "tanure" no deficiente site do JB resulta em nada menos do que 23 (vinte e três) registros desde o início de maio.

Em pouco mais de 40 dias, o sobrenome do Acionista apareceu OITO vezes na coluna de Hildegard Angel, SEIS na de Marcia Peltier, TRÊS na de Anna Ramalho, do caderno Barra, e DUAS na de Gilberto Amaral, do caderno Brasília.

(No governo Collor, Amaral foi acusado de vender audiências com o presidente, de quem era amigo. Anos depois, foi demitido do 'Correio Braziliense' sob suspeita de ter inventado um novo delito: extorsão por via postal. Aliado do lobista Paulo Marinho, que dirige o JB em Brasília, ganhou uma página no caderno encartado na edição local)

Os outros quatro registros de "tanure" no JB Online correspondem a matérias recomendadas publicadas nas editorias de Opinião e Cidade, além de uma citação no espaço de Iesa Rodrigues na Domingo.

A coluna de Heloisa Tolipan, dedicada à reprodução de press releases e notas sobre modelos e artistas estrangeiros, não entrou na relação.

Pelos critérios da casa, periga encabeçar o próximo passaralho.

quarta-feira, junho 15

Pequena história do "novo" B (I)


Para cada amiguinho, uma coluna no caderninho

O Céu de verdade, aquele que não aparece no teto da Capela Sistina, é uma espécie de versão póstuma do Bar Jóia: um antro de bêbados e desocupados. Nas últimas semanas, muitos desses pobres-diabos têm pedido minha opinião sobre o "novo" Caderno B, dirigido pelo Ziraldo.

O B do Ziraldo era uma história da carochinha, como muitas que circulam na Rio Branco desde que o jornal é dirigido por forças ocultas. A associação teria um motivo peculiar: o Velho Maluquinho devia uma fortuna ao Acionista que, sem trocadilho, enterrou um caminhão de dinheiro em sua Bundas.

Pelo cronograma original, Ziraldo assumiria o caderno em janeiro. O jornal demorou a atender as exigências do popstar de Caratinga. Ziraldo bateu pé: só começaria a trabalhar se tivesse uma sala, uma secretária e um fax exclusivo. Nos padrões atuais do JB, isso equivale a um Rolls Royce, cinco batedores, 2.000 toalhas brancas e três andares do Copacabana Palace.

Vencido pelo cansaço - há quem diga que foi pela pressão dos amigos, que estavam sem uma boquinha desde o fim do Pasquim 21 - nosso herói capitulou. O "novo" B, apresentado por um glorioso artigo assinado pelo Acionista (seria pedir demais que ele escrevesse), começou a circular em 1. de maio. O pai do Pererê também falou ao público, desautorizando a piada segundo a qual não se podia chamar de novo um caderno cuja equipe tem média etária acima dos 70.

(continua)

segunda-feira, junho 13

Ninguém merece

Esse Ziraldo é mesmo uma figura.

Como de hábito, o caderno B de domingo traz uma daquelas entrevistas pasquinianas com o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas. Até aí tudo bem. Minha surpresa foi ver, na mesa de entrevistadores, a genial colunista Antonia Leite Barbosa!

Logo na primeira pergunta, a moçoila já recebeu uma bela resposta:

"Só escreve uma coisa dessas quem não tem noção do esporte".

É por essas e outras que eu amo esse jornal!

sexta-feira, junho 10

O dia em que virei carimbo


Eu era mais bonito ao vivo

Devo desculpas a você, leitor, que tem voltado diariamente a este endereço em busca de novas palavras de consolo sobre o estimado Centenário. A vida no Céu não é como a do Delúbio, mas também anda dura.

Desiludido com as últimas edições do velho Jota, que insiste em comemorar o fato de ter sido ignorado até pelos jornais de paróquia durante longos oito meses, acabei abandonando por alguns dias a leitura do Centenário. Por conseqüência, além da melhorar o humor, mantive meus dedos mais limpos. E este blog, mais vazio.

A Condessa, no entanto, permanece implacável. Obediente, me comprometi com a leitura do JB no fim de semana. Não posso conter a espera pelas informações relevantes e pelos furos jornalísticos do Caderno H.

E o factóide prometido no título? Bem, hoje abri o Comunique-se, aquele portal de jornalistas desocupados, e descobri que virei carimbo. Felizmente, escapei de mais uma dessas homenagens insuportáveis, já que estou morto. Mas o pior não é isso. O que não consigo aceitar, aquilo com que não me conformo, é o fato de ter virado carimbo dos Correios. Logo dos Correios?

Estou inconsolável. Depois de dedicar toda a vida ao jornalismo político - sempre imparcial e independente, desde quando não havia o divórcio - virei carimbo do cabide de empregos mais desmoralizado do país. O Roberto Jefferson, que comigo só tem em comum o hobby de esvaziar garrafas, ganhou mesada de R$ 400 mil.

Onde está a justiça?

segunda-feira, junho 6

O mensalão e o tiro no pé




Como homem de esportes que fui, estava eu gastando minha noite de segunda-feira à frente da TV - sim, essa praga chegou ao céu. Em Buenos Aires, Galvão Bueno (quando é que você vem pra cá, meu caro?) elogiava o relógio do Roberto Carlos e, no Rio, um trio de tango ilustrava comentários sobre o clássico entre Brasil e Argentina. Coisa de ótimo gosto. De repente, resvalei o dedo no controle remoto e, pimba, dei de cara com o Miro Teixeira na Globonews.

Miro Teixeira é a prova de que o glorioso Jota erra até quando acerta.

Cercado de microfones, ele reconhecia que, ainda no ano passado, ficou sabendo da mesada que pingava no bolso dos parlamentares que votavam com o governo, esquema alardeado agora pelo ex-roliço Roberto Jefferson.

Talvez os 28 assinantes do Centenário ainda se lembrem da reportagem Miro denuncia propina no Congresso, publicada em 24 de setembro de 2004, contendo grande parte do que Jefferson acaba de dizer à Folha de S.Paulo.

Não tenham dúvidas de que, feito o estrago, essa matéria será explorada à exaustão, no melhor estilo "você leu antes no JB".

O que eles jamais vão dizer, claro, é o motivo pelo qual a bomba não explodiu na época. Não tem problema, eu digo. Há muito tempo, vejo tudo aqui de cima, esqueceram? O caso não ganhou repercussão basicamente por dois motivos.

Primeiro, porque criou-se o péssimo costume de não levar a sério o que sai nas benditas páginas concebidas na Avenida Rio Branco.

Segundo, porque Miro negou tudo. Desmentiu, de cabo a rabo, o texto que o classificava como fonte da denúncia.

E por que raios desmentiu?

Simples.

No episódio do ano passado, Miro narrou os fatos em off à jornalista (nome aos bois, por favor) Belisa Ribeiro, então chefe da sucursal de Brasília e, nas horas vagas, mãe de Gabriel, o Pensador. Com fome de furo, ela chutou o off pro alto e publicou tudo à revelia da fonte.

O então ministro, que por acaso também é colega de profissão e conhece bem esses códigos de conduta, soltou fogo pelas ventas. Negou, negou e negou, esvaziando o teor da reportagem. Agora, com Jefferson na fogueira, veio a público e confirmou tudo.

Na Globonews, bem longe do Jota.

Fez muito bem, ora bolas.

Rosinha e a inclusão digital


Escreve assim, ó: "in-clu-são", com a ondinha do não no "a"

Era noite de sexta-feira e o papo corria animado aqui no Sacha's do céu. Numa roda movida a uísque e charutos pré-revolucionários, Getúlio, Jango e eu conversávamos sobre o velho PTB que, quem diria, acabou no bolso do Roberto Jefferson. Se a situação aí embaixo era ruim para os trabalhistas, aqui em cima ficou ainda pior quando o chato do Lacerda entrou no bar com a Veja do dia seguinte. "O trabalhismo está voltando a chafurdar num mar de lama", vociferava o corvo, golpista até na versão post-mortem. Quando o velho Gegê já engatilhava o revólver pra se matar de novo - ele já repetiu isso umas quarenta vezes desde 54, ninguém agüenta mais - surgiu a Condessa para acabar com a baderna. "Castelinho, seu inútil! Largue essas futricas do além e concentre-se na missão que eu te deleguei!" Era a senha para voltar à combalida Remington e contar a vocês, estimados leitores, o que se passa aí na Terra com o meu querido JB. Precisava comentar alguma notícia do dia... mas que notícia? Como o jornal não tivesse nenhuma, escudei-me na página de Opinião. E daí surgiu a nota sobre o chefe de gabinete da governadora.

Qual não foi minha surpresa, hoje, ao constatar que este velho colunista ainda provoca marola. Emocionados com a sensibilidade da governadora fluminense diante das novas tecnologias - reconhecida aqui há três dias - os atuais chefes do diário resolveram franquear à estadista uma página na edição desta segunda. Vale reproduzir um trecho da matéria, que honra a reputação do Centenário: independente desde quando não havia o divórcio.

O Rio de Janeiro é o anfitrião do evento da Organização das Nações Unidas (ONU) e a governadora Rosinha Garotinho, que se empenhou em trazê-lo para o Estado, vê a conferência do Rio como uma oportunidade, justamente, de se incentivar ainda mais os debates sobre a inclusão digital e a sociedade da informação no País.

Brilhante, tanto no estilo quanto no conteúdo. Mas será que ela precisou de ajuda dos universitários? Ah, depois do inusitado ping-pong, o tal chefe de gabinete também falou na matéria.

O samba do caderno doido


Leleco e uma amiga, entre leituras do Caderno B

O leitor pode não ter notado, mas há uma lógica peculiar nos anúncios publicados no JB. A Amil, por exemplo, troca espaço por apólices de seguro para os funcionários. O Banco Cédula troca anúncios por crédito para o patrão - que, por sua vez, é dono da Estação do Corpo, do Sky Lounge e do Gattopardo, sempre presentes na revista Programa. Outro anunciante de peso, sempre fiel, é o governo do estado. Mas aí... bem, aí é outra história.

Tem mais um anúncio perpétuo: o quadradinho do Deles & Delas. O programa muda de emissora, muda de apresentadores picaretas, mas permanece o mesmo: cenário brega, patrocinadores oficiais e jornalistas (quase sempre) amigos, cheios de perguntas dóceis para prefeitos, secretários de estado, ex-deputados, acasal de governadores etc. Enfim, só debates de alto nível.

Como lá também não tem almoço de graça, o apresentador-chefe se despede a cada edição com um merchandising do Centenário. Leleco Barbosa saca um jornalzinho amassado e repete o mantra: "Comece a sua semana com o JB!".

No programa de ontem, a empolgação para convencer o telespectador a comprar o jornal era tão grande que Leleco resolveu citar o nome dos colunistas da casa. "Hildegard Angel! Márcia Peltier! Ricardo Boechat!"

Empolgado, o filho do Chacrinha arrematou com o seguinte:

"O JB está uma maravilha! Você não pode perder o SEGUNDO CADERNO, que agora é comandado pelo nosso Ziraldo".

sexta-feira, junho 3

Literalmente, um clássico

Às vezes eu me pergunto se o JB realmente existe ou se é apenas uma peça de ficção do nosso jornalismo. Vejam só esta história que surgiu hoje na redação do Centenário.

Aliás, só se fala disso na Av. Rio Branco.

Nelsinho Tanure, filho do "acionista", goza férias no Brasil após um breve intervalo na faculdade de business, que cursa nos EUA.

Para que o rapaz não fique à toa na vida, o pai logo lhe arrumou afazeres. Em plena redação do Jota, o herdeiro passou a fazer estágio em todas as editorias. Todo dia, ele escolhe onde quer sentar e fica até o fechamento, fazendo perguntas de todos os tipos. A não ser às sextas-feiras, claro, quando essa gentalha do jornalismo fica até tarde e o bom garoto tem mais o que fazer.

Eis que hoje, num almoço entre um dos vice-presidentes e a pessoa que atualmente comanda a redação, surgiu a brilhante idéia: mandar Nelsinho para Buenos Aires. Nada de grandes reportagens especiais: apenas uma oportunidade de acompanhar, in loco, o clássico entre Brasil e Argentina.

A cúpula do periódico conseguiu a credencial direto com Ricardo Teixeira, figura de nobre estirpe, que por sinal faria uma bela dupla com o Tanure pai. Além de ir no avião da CBF, o filhote vai dividir o quarto com o repórter do jornal, que deve estar feliz da vida.

O hotel, claro, não é mais o pé-de-chinelo escalado previamente. Agora, repórter e "estagiário" ficarão instalados num confortável quatro estrelas.

A credencial, claro, não terá o sobrenome Tanure.

Uma pena. Pelo menos seria mais divertido.

O fluxo da informação



"A informação flui naturalmente de quem tem para quem não tem". O aforismo, publicado nesta sexta-feira na página de Opinião do velho Jota, é assinado pelo chefe de gabinete da governadora Rosinha Matheus. Será que ele o formulou sozinho ou pediu ajuda aos universitários?

Chefe de gabinete, para quem não está acostumado a cobrar explicações de autoridades, é o funcionário (bem) comissionado a quem cumpre organizar a agenda, comandar os colaboradores próximos e, eventualmente, falar em nome da suprema mandatária do estado. Em bom português: ludibriar jornalistas, ocultar informações e divulgar as proezas do casal Garotinho. Apesar de ter passado boa parte da vida em redações, o profissional de imprensa que ocupa esse cargo costuma falar melhor a língua dos donos dos jornais do que a dos jornalistas.

Concluída a digressão, retornemos ao artigo publicado hoje abaixo da coluna do velho Sir Ney. Como uma Sandra de Sá do teclado, o chefe de gabinete informa que

A governadora do Estado, Rosinha Garotinho, em seu discurso de abertura da Conferência sobre Internet para América Latina, patrocinada pela ONU, afirmou que precisamos de um modelo de desenvolvimento que saiba não apenas produzir bens, mas saiba também distribuí-lo.

Deve ser ótimo viver num estado cuja governadora tem tamanha visão estratégica. Triste, nos dias de hoje, é ser leitor do JB.

A amizade do casal Garotinho com os atuais proprietários do jornal causaria arrepios no meu colega de blog, o Doutor Brito. O velho ainda ainda capengava pelo finado edifício da Avenida Brasil quando o governo do estado empregou recursos da publicidade oficial para pagar quatro reportagens favoráveis à sua gestão no Centenário.

O caso veio a público em 2003, quando o jornal já se espremia em dois andares de um edifício comercial na Avenida Rio Branco. Baseada em relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a Folha de S. Paulo informou que a Secretaria estadual de Comunicação pagou R$ 118.750, a título de “despesa com publicidade”, à empresa Internad Publicidade Ltda.

De acordo com os ministros do TCE, o dinheiro começou a chegar ao caixa do JB em setembro de 1999. Depois disso, os laços de amizade entre os comandantes do jornal e os políticos campistas ficariam cada vez mais fortes.

PS: Para mais informações, leia artigo de Alberto Dines publicado em junho de 2004 no Observatório da Imprensa.

O meu amigo Ribamar



Confesso: melhor que ter Doriana no café da manhã, é ter Doriana e mais o Jotaço, quentinho, saindo do forno, em cima da minha mesa. E admito: às sextas-feiras, vou sempre direto para a página de Opinião, onde mais um valoroso amigo, o ESTADISTA José Sarney escreve magnânima coluna, dando aulas de democracia.
Eu admito também que mal posso esperar para que Sarney venha logo aqui para o céu. Claro, até aqui há certa oposição, e uma gentinha que não vale nada dizendo que dificilmente São Pedro concede o visto. Mas eu não ligo. Sarney está acima de tudo isso, e meu amigo Tanure, o bom baiano, foi um dos primeiros a ter esta visão ao longe, quase no horizonte. Deu a Sarney uma coluna no meu Jotaço.
A biografia de Sarney diz tudo: é um político tão bom que nem precisou passar por eleições, foi senador biônico pela Aliança para Renovação Nacional (Arena), combatendo os safados dos comunistas. Depois, assumiu a vaga de Tancredo (que está aqui ao meu lado conspirando para trazer o Zé Aparecido de Oliveira), e conduziu o governo da transição democrática, com rara sabedoria.
Afinal, foi ele quem colocou meu bom amigo Antônio Carlos Magalhães no Ministério das Comunicações, foi ele quem criou o bom Dornelles (o Chico Sobrinho), foi Sarney quem deu ao país obras incontestáveis como a Ferrovia Norte-Sul e, last but not least, o Plano Cruzado.
Que saudades tenho do Plano Cruzado! Foi graças a ele que elegemos pessoas progressistas como Moreira Franco no Rio, Orestes Quércia em São Paulo, Newton Cardoso em Minas Gerais e Roberto Requião pela primeira vez no Paraná (ou teria sido o meu amigo Zé Richa aqui do lado? Minha memória me trai).
Eu fui um fiscal do Sarney. Lutei por mais um ano de mandato, como ele queria. As conquistas de Sarney são irretocáveis - até ausente o velho Ribamar nos brindava com maravilhas, como quando Paes de Andrade, assumindo temporariamente sua vaga, mudou a capital do Brasil para Mombaça, no Ceará.
Hoje, é com orgulho que vejo daqui de cima o meu Jotaço trilhando o caminho da modernidade e do avanço político, tendo uma coluna SEMANAL do meu amigo José Sarney. Longa vida para ele.
Só sinto falta de uma coisa: cadê a coluna do sumido e querido Quércia?

quinta-feira, junho 2

A voz dos que não têm voz - o Jotaço




Meus companheiros de texto não sabem, mas aqui na Avenida Prado Júnior do céu eu quase todo dia tenho o hábito de dar uma passada no Cervantes estelar antes de ir para casa. Peço sempre o filet com queijo sem abacaxi, acompanhado do velho e bom chope com colarinho. Na saída, fumo um Carlton varejo (aqui no céu tem dessas coisas) e confiro na banca 24 horas da minha amiga Janis Joplin os jornais que vão chegando.
Eis que hoje no meu JOTA, desta quinta-feira, dia 2 de junho, abro a página de opinião e quase sou levado às lágrimas. Só não chorei porque estava procurando meu isqueiro.
O meu Jota tinha um artigo de RONALDO CAIADO.
Sim, não era uma miragem. O famigerado deputado do PFL finalmente tinha um espaço para se defender, depois que foi obrigado a determinar a censura daquele livro do Fernando Morais (jornalista sem a metade da credibilidade do meu amigo Caiado). A Justiça, sábia como nos bons tempos do nosso Garrastazu (aliás, joguei com ele outro dia uma ótima partida de Cricket com crânios humanos), mandou recolher a obra caluniosa.
Para quem não sabe, Morais revela no livro que escreveu sobre a W/Brasil que meu amigo Caiado propôs a esterilização das mulheres nordestinas por meio do uso de remédios próprios jogados nas águas dos açudes.
Pura balela. Caiado tem utilizações bem mais racionais para o nosso Paraíba, como colocação fixa em portarias de prédios e mesa de centro com boquete acoplado, no caso das mulheres.
O artigo tinha um título belíssimo, que me escapa à memória, algo como "POR QUE MEREÇO SER OUVIDO".
O melhor de tudo, caro amigo Castelo, caro amigo Saldanha: a pessoa responsável pela publicação não teve aquelas frescuras de mandar ouvir o Morais ou a editora. Deu o espaço e pronto. Que nosso Caiado fale o que quiser. Vai que o tal Morais fala alguma besteira e eles mandam recolher o nosso Jotinha das bancas?

quarta-feira, junho 1

No JB, Watergate é feature em página par


Será que eles emplacariam o caso no JB?

"Sou o cara que chamam de Garganta Profunda". A frase de Mark Felt, ex-número 2 do FBI, encerrou o mistério em torno do caso Watergate, que derrubou o presidente Nixon. A história foi publicada ontem pela revista Vanity Fair e reproduzida hoje, com destaque, nos jornais de todo o mundo. Impossível ignorar um velhinho que, aos 91 anos, revela-se protagonista de um dos episódios mais importantes da história do jornalismo.

Impossível? Não no Centenário, onde o Deep Throat - que abriu as editorias internacionais de Globo, Folha e Estadão - virou feature de página par. Os responsáveis pela primeira página também fizeram sua parte: esconderam a história no cantinho inferior à direita, habitualmente dedicado a um anúncio das Casas Bahia.

Bob Woodward e Carl Bernstein tiveram sorte de estar no Post de 1972. No JB de 2005, provavelmente não conseguiriam contar a história que entrou para a História. Nem em colunão.

A verdadeira literatura underground

Falta mais de um mês para a festa do livro em Paraty, mas os jornais já anteciparam todas as novidades do evento. O JB, claro, foi além. Matéria publicada hoje no Caderno B mostra que a edição 2005 da Flip terá uma inovação fantástica. Consciente da importância do lead, a repórter já abre o texto soltando o furo de reportagem:

"Sob pedras disformes e ruelas labirínticas, tendas são montadas por todos os lados."

Pelo jeito, será a primeira festa literária subterrânea da história!

Não posso perder!

A loura e o lobo na Bienal

O estande do JB na Bienal do Livro, no Riocentro, rendeu mais historinhas para este blog do que assinaturas do centenário jornal. Dois dedos de prosa eram suficientes para descobrir que o espaço, num canto inóspito do segundo pavilhão, foi conseguido às pressas. E graças à camaradagem de uma editora amiga, que desistiu de participar da feira.

Uma fonte com quem costumava dividir mesa no Antonio's - que, a exemplo dos meus amigos de redação, também já veio para o céu - contou-me a seguinte anedota:

Atraído pela extensa propaganda publicada durante a semana, cheguei ao estande do bom e velho na última sexta-feira da Bienal, quando o igualmente idoso Fausto Wolff autografaria seu novo livro.

Eu, que sou da casa, sentei-me na poltrona do lounge, roubei uma Programa do dia, trouxe para perto o pote de amendoim e tratei de puxar papo com a lourinha do Comercial que enfeitava a área.

Chega o Wolff e o fotógrafo, cansado de registrar crianças lendo a Genius nos pufes coloridos, aciona o disparador. Então a lourinha se aproxima discretamente com um pedido: nada de imagens do homem com copo de uísque da mão.

- Sabe como é, pode pegar mal...

O bravo repórter fotográfico, claro, rebateu dizendo que o homem é pingunço mesmo, não esconde isso de ninguém e ainda exalta os benefícios da birita quase todo dia na coluna.

- Você não tem lido? - acrescentei eu, só pra sacanear.

Mas a moça não entregou os pontos:

- É que os outros convidados podem ver a foto no jornal e ficar chateados. A gente não teve autorização pra servir nada, nem água.

- Hã?

- Pois é, ordem do diretor do Comercial. Só conseguimos essa garrafa agora, em cima da hora. Senão o Fausto Wolff não vinha.


A propósito, na ausência de um mísero leitor, o colunista etílico do Caderno B - que não percebeu o vexame por já estar bêbado - concedeu uma entrevista-reco à repórter do matutino. Suas palavras seriam reduzidas a um texto-legenda na edição do dia seguinte.

Ordem na bagunça

Que beleza, hein. Começamos bem.

No primeiro dia, um já espinafrou o outro nos comentários. Em se tratando do velho Jota, tinha de ser assim mesmo, sob o signo da esculhambação. Quando a condessa me convocou, eu bem que avisei.

Primeiro, defendo Brito, o bom capenga, que usou corretamente seu "hoje" em oposição ao "antigamente". Castelinho não entendeu. Devia estar bêbado, pra variar.

Agora, permitam que eu me apresente.

Chamo-me João Saldanha, fui colunista e editor de Esportes do JB, cobri quatro Copas e escrevi um punhado de livros.

Ah sim, fui técnico da seleção, de onde a ditadura pró-Dario me varreu às vésperas do Mundial de 70. Mas não vou falar disso aqui, é coisa do passado. Até porque a primeira coisa que fiz no Além foi dar uma surra no Médici. Assunto encerrado, vamos em frente.

Só para registrar, morri em 1990, no meio da Copa da Itália.

De desgosto, claro.

Mais triste que a seleção do Lazaroni, só mesmo a seqüência de trapalhadas do Jotinha desde então.

É disso, aliás, que vamos tratar aqui.

Um abraço do João.