quarta-feira, junho 29

Chatô made in Paraguay


Esse cabra pensa que vai me imitar? Só rindo!

O leitor remanescente do JB não precisa estudar psicologia por correspondência para entender a obsessão do Acionista, nos últimos anos, em comprar os restos mortais dos Diários Associados.

Desde que resolveu apostar alguns tostões no Centenário, o empresário baiano tem revelado, nos métodos de trabalho e na fineza de trato, a irresistível vontade de emular um escroque de outras épocas: Assis Chateaubriand.

A diferença, imperceptível apenas ao nosso personagem, é pouco mais do que ligeira. Chatô construiu um império; Tanure vive da carniça de antigos veículos, achincalhando o fio de credibilidade que lhes resta.

Na última sexta-feira, a fixação ressuscitou um gênero adormecido do nosso jornalismo e consagrado por Chatô: o editorial de difamação.

O título da peça, dirigida ao empresário que assume a presidência da ACRJ, era "Vergonha". Mas quem ficou ruborizada, ali na nuvem presidencial, foi a Condessa. Veja o porquê:

Vergonha

O Rio de Janeiro inaugura hoje uma das páginas mais tristes de sua história econômica e social. A Associação Comercial (ACRJ), entidade já capitaneada pelo patrono do empresariado brasileiro, o Barão de Mauá, é a partir de agora bastião de um dos mais excelsos representantes da decadente plutocracia carioca: Olavo Monteiro de Carvalho, conhecido bon-vivant das rodas ociosas no Brasil e no exterior.

Que belo exemplo o Rio de Janeiro dá aos jovens empreendedores do Estado e do país. Em lugar da meritocracia, de uma trajetória de geração de prosperidade e empregos, a ACRJ, do alto de seus 185 anos de existência, presta-se a um culto ao vazio.

O novo presidente tem como grande patrimônio de realizações sua presença recorrente nos conclaves de fidalgos e desocupados - movida pelo brilho de superfície; retratada pelo flash dos paparazzi. Tem-se a impressão de que a ACRJ substituiu o elogio ao trabalho pelo elogio à celebridade. A essa condição foi alçado o novo presidente pela herança e pelos amigos fátuos que amealhou ao longo da vida com a combustão do patrimônio familiar e de terceiros.

É de se lamentar que alguns membros do governo federal, desorientados na arena política, prisioneiros da ortodoxia econômica e reféns dos últimos acontecimentos que estarrecem o país, pareçam ter emprestado o seu nome ao convescote de hoje e a esse insulto ao empresariado. A ACRJ, que já pautou no passado o pensamento e a ação das classes empresariais no Brasil, é varrida para o canto escuro da irrelevância. (...)

O Centenário faria melhor, bem melhor, se informasse os verdadeiros motivos da ira de NT contra o ofendido. Algumas pistas: complexo de inferioridade, síndrome de rejeição no high society carioca, trambiques na venda do Banco Boavista e da Gazeta Mercantil.

Ao leitor, resta constatar a esquizofrenia do jornal que, apesar de publicar cinco colunas sociais diárias, ocupa sua página mais nobre para atacar um empresário com as expressões "decadente plutocracia carioca", "bon-vivant das rodas ociosas", "culto ao vazio", "brilho de superfície" e "conclaves de fidalgos e desocupados".

Para ilustrar o verdadeiro problema do Acionista, uma notinha de Ancelmo Gois publicada no site no.com.br em 14/06/2000:

Greve no golfe - O distinto Gávea Golf & Country Club resolveu tomar partido no duelo entre os empresários Olavo Monteiro de Carvalho e Nelson Tanure. Segundo um habitué, desde que começou a briga em torno do banco Boavista, Tanure anda com dificuldade de encontrar parceiro para jogar golfe no fino clube carioca.

11 Comments:

At 30 junho, 2005 00:41, Blogger Raphael said...

É mais ou menos o mesmo motivo que leva o JB a publicar notícias negativas sobre o Opportunity e seu dono...

 
At 30 junho, 2005 00:58, Anonymous Ismael Tabaco said...

O mais engraçado vocês do blog não repararam: é que NO MESMO DIA em que acontece esse editorial (detalhe: quem me chamou a atenção foi um assessor de imprensa do governo do estado), na coluna da Hilde tinha uma foto do Olavão!!!!
Bom, como vocês nào se identificam, também nào me identificarei.
abraço

 
At 30 junho, 2005 01:09, Blogger Carlos Castello Branco said...

Desculpa seu Ismael. Achei que fosse me livrar disso no Céu, mas até aqui o médico proíbe ler a Hilde mais de duas vezes por semana.

 
At 30 junho, 2005 07:41, Anonymous Pai Zezinho said...

Enquanto isso, no limbo:

"Um possível meio alívio para o JB
Nelson Tanure estaria passando a direção operacional do JB para o seu principal executivo, Hélio Tuchler, segundo a Rádio Corredor do jornal.
Tentei falar com ambos, não foi possível no fim de semana. Mas Nilo Dante, um dos nove diretores de Redação que passaram pelo JB desde que Tanure assumiu o jornal (abril de 2001), vê com otimismo essa hipótese:

"Não sei se é verdade. Se for, é bom para o Nelson e ótimo para o jornal. Por dois motivos. Primeiro: ele não gosta de jornal. Não lê jornal. Nem os dele. Ao deixar o dia-a-dia do JB, se deixar, ficará desobrigado de tocar um negócio que lhe faz mal à saúde. O Nelson teve o mérito de evitar que o Jornal do Brasil fechasse as portas, quando comprou o título e o manteve circulando. É um empresário envolvente e bem sucedido em outras áreas, mas não em jornal. Segundo: ele não gosta de jornalista. Seu ideal, na boa frase do Ricardo Boechat, é fazer um jornal sem jornalistas. Há tempos, entregou a chefia da Redação do JB a uma assistente burocrática, sem qualificação profissional nem currículo para o cargo. Adiante, nomeou um diplomata diretor de conteúdo do JB e da Gazeta Mercantil."

"Mas entregou a reforma da Gazeta a você" – argumentei.

"Não foi uma reforma, apenas simples atualização da Gazeta, baseada no modelo de cores que o americano Mario Garcia criou para o Wall Street Journal, em 2002, e que é uma obra-prima. Mas o trabalho que o Jacques Nogueira e eu fizemos não é o que está saindo. Curiosos andaram mexendo no projeto, à nossa revelia, e o resultou é esse híbrido duvidoso que está circulando."

Nilo explica melhor por que o afastamento do Nelson afetaria o JB:

"Porque baixa o nível de estresse dos profissionais que estão fazendo enorme esforço para tocar o barco. O mercado não seria afetado, nem tomaria conhecimento. Continuará essa paisagem triste, cada jornal se beneficiando não de seus atributos, mas da fraqueza do outro. E todos eles sendo fortemente rejeitados pelo mercado. O Globo e o Dia perderam 50% dos leitores em poucos anos. A propósito, a debilidade do JB é péssima para o Dia, cada vez mais fragilizado entre o Globo e o Extra, amparados no poder de fogo da TV Globo. Mas o Dia pode reagir. Eles têm garra e contrataram um dos melhores editores de jornal em atividade, se não o melhor de todos, que é o Eucimar Oliveira."

Nilo só vê uma saída para essa crise.

"Nossos jornais precisam deixar de ser feitos para editor. Voltar o foco para o leitor, como nos tempos do doutor Roberto, do Ary Carvalho, do Evandro Carlos de Andrade, do Alberto Dines, do Walter Fontoura e outros. A não ser o Globo, que corre sozinho, devem adotar urgentemente a fórmula tablóide, que avança nos Estados Unidos, na Inglaterra, e tem a preferência dos mais jovens e do público feminino. Até o Wall Street Journal vai virar tablóide nas edições da Europa e da Ásia. E devem acabar com a mania de importar o know how castrador dos espanhóis, que se tornou moda contratar, ao primeiro sintoma de crise. É como se o Real Madrid cometesse a tolice de importar jogadores venezuelanos e não os craques do Brasil. Aliás, desde que esses espanhóis passaram a circular por aqui, a circulação dos nossos jornais só fez desabar. Com ou sem trocadilho."

(Coluna de Milton Coelho da Graça, no Comunique-se)
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At 30 junho, 2005 10:31, Anonymous Amigos para Siempre said...

Dois amiguinhos se entrevistando. Nossa.

 
At 30 junho, 2005 12:15, Anonymous ziraldo said...

pô, vcs censuraram meu comentário!

 
At 30 junho, 2005 13:35, Anonymous Lúcifer Satanás said...

Outro dia mesmo eu tomei um whisky com o Milton e com o Nilo Dante. Engraçado, eles não falaram nada sobre isso.

 
At 30 junho, 2005 16:56, Anonymous coisa ruim said...

É que perto de Nilo Dante, você não é ninguém amigo Satã. Ou já esqueceu o apelido dele quando diretor do Jotaço? Mefistofélico.

 
At 01 julho, 2005 07:49, Anonymous Anônimo said...

Ziraldo é aquele que nunca brochou? Bom, agora com o Viagra não é mais vantagem...

 
At 02 julho, 2005 00:43, Anonymous Nilo De Antes said...

Podem falar mal a vontade... Mas a verdade esta na cara, o Sr. Nelson Tanure realmente incentiva os novos empreendedores!

Basta ver a quantidade de jornalistas que abriram (ou estao abrindo) suas proprias empresas com o "apoio" do JB!!!

 
At 20 novembro, 2009 01:25, Anonymous Anônimo said...

intiresno muito, obrigado

 

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