sexta-feira, junho 3

Literalmente, um clássico

Às vezes eu me pergunto se o JB realmente existe ou se é apenas uma peça de ficção do nosso jornalismo. Vejam só esta história que surgiu hoje na redação do Centenário.

Aliás, só se fala disso na Av. Rio Branco.

Nelsinho Tanure, filho do "acionista", goza férias no Brasil após um breve intervalo na faculdade de business, que cursa nos EUA.

Para que o rapaz não fique à toa na vida, o pai logo lhe arrumou afazeres. Em plena redação do Jota, o herdeiro passou a fazer estágio em todas as editorias. Todo dia, ele escolhe onde quer sentar e fica até o fechamento, fazendo perguntas de todos os tipos. A não ser às sextas-feiras, claro, quando essa gentalha do jornalismo fica até tarde e o bom garoto tem mais o que fazer.

Eis que hoje, num almoço entre um dos vice-presidentes e a pessoa que atualmente comanda a redação, surgiu a brilhante idéia: mandar Nelsinho para Buenos Aires. Nada de grandes reportagens especiais: apenas uma oportunidade de acompanhar, in loco, o clássico entre Brasil e Argentina.

A cúpula do periódico conseguiu a credencial direto com Ricardo Teixeira, figura de nobre estirpe, que por sinal faria uma bela dupla com o Tanure pai. Além de ir no avião da CBF, o filhote vai dividir o quarto com o repórter do jornal, que deve estar feliz da vida.

O hotel, claro, não é mais o pé-de-chinelo escalado previamente. Agora, repórter e "estagiário" ficarão instalados num confortável quatro estrelas.

A credencial, claro, não terá o sobrenome Tanure.

Uma pena. Pelo menos seria mais divertido.

2 Comments:

At 03 junho, 2005 22:42, Blogger Dr.Brito said...

Magistral, caro João Sem Medo. Magistral texto. Para guardar nos anais (e nos vaginais) da história do Jotinha.

 
At 06 junho, 2005 10:58, Anonymous Christiane said...

Cheguei aqui via Ivson do Picadinho Diário e adorei. Parabéns pela idéia e pelos textos, a ruína do JB é uma das páginas mais lamentáveis do jornalismo brasileiro.

 

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