quarta-feira, junho 1

A loura e o lobo na Bienal

O estande do JB na Bienal do Livro, no Riocentro, rendeu mais historinhas para este blog do que assinaturas do centenário jornal. Dois dedos de prosa eram suficientes para descobrir que o espaço, num canto inóspito do segundo pavilhão, foi conseguido às pressas. E graças à camaradagem de uma editora amiga, que desistiu de participar da feira.

Uma fonte com quem costumava dividir mesa no Antonio's - que, a exemplo dos meus amigos de redação, também já veio para o céu - contou-me a seguinte anedota:

Atraído pela extensa propaganda publicada durante a semana, cheguei ao estande do bom e velho na última sexta-feira da Bienal, quando o igualmente idoso Fausto Wolff autografaria seu novo livro.

Eu, que sou da casa, sentei-me na poltrona do lounge, roubei uma Programa do dia, trouxe para perto o pote de amendoim e tratei de puxar papo com a lourinha do Comercial que enfeitava a área.

Chega o Wolff e o fotógrafo, cansado de registrar crianças lendo a Genius nos pufes coloridos, aciona o disparador. Então a lourinha se aproxima discretamente com um pedido: nada de imagens do homem com copo de uísque da mão.

- Sabe como é, pode pegar mal...

O bravo repórter fotográfico, claro, rebateu dizendo que o homem é pingunço mesmo, não esconde isso de ninguém e ainda exalta os benefícios da birita quase todo dia na coluna.

- Você não tem lido? - acrescentei eu, só pra sacanear.

Mas a moça não entregou os pontos:

- É que os outros convidados podem ver a foto no jornal e ficar chateados. A gente não teve autorização pra servir nada, nem água.

- Hã?

- Pois é, ordem do diretor do Comercial. Só conseguimos essa garrafa agora, em cima da hora. Senão o Fausto Wolff não vinha.


A propósito, na ausência de um mísero leitor, o colunista etílico do Caderno B - que não percebeu o vexame por já estar bêbado - concedeu uma entrevista-reco à repórter do matutino. Suas palavras seriam reduzidas a um texto-legenda na edição do dia seguinte.