sexta-feira, junho 10

O dia em que virei carimbo


Eu era mais bonito ao vivo

Devo desculpas a você, leitor, que tem voltado diariamente a este endereço em busca de novas palavras de consolo sobre o estimado Centenário. A vida no Céu não é como a do Delúbio, mas também anda dura.

Desiludido com as últimas edições do velho Jota, que insiste em comemorar o fato de ter sido ignorado até pelos jornais de paróquia durante longos oito meses, acabei abandonando por alguns dias a leitura do Centenário. Por conseqüência, além da melhorar o humor, mantive meus dedos mais limpos. E este blog, mais vazio.

A Condessa, no entanto, permanece implacável. Obediente, me comprometi com a leitura do JB no fim de semana. Não posso conter a espera pelas informações relevantes e pelos furos jornalísticos do Caderno H.

E o factóide prometido no título? Bem, hoje abri o Comunique-se, aquele portal de jornalistas desocupados, e descobri que virei carimbo. Felizmente, escapei de mais uma dessas homenagens insuportáveis, já que estou morto. Mas o pior não é isso. O que não consigo aceitar, aquilo com que não me conformo, é o fato de ter virado carimbo dos Correios. Logo dos Correios?

Estou inconsolável. Depois de dedicar toda a vida ao jornalismo político - sempre imparcial e independente, desde quando não havia o divórcio - virei carimbo do cabide de empregos mais desmoralizado do país. O Roberto Jefferson, que comigo só tem em comum o hobby de esvaziar garrafas, ganhou mesada de R$ 400 mil.

Onde está a justiça?