domingo, junho 26

Troféu manchete bizarra

A primeira página do Jornal do Brasil sempre primou pela criatividade. Em 14 de dezembro de 1968, usou o cantinho da previsão do tempo para denunciar a gravidade do AI-5. No outro lado do cabeçalho, estampou o aviso da censura: "Ontem foi dia dos cegos".

A ousadia do Centenário voltou a brilhar em 12 de setembro de 1973. Proibido de publicar títulos e fotos sobre a queda de Salvador Allende no Chile, o JB compôs uma capa só de texto, em quatro colunas estendidas.

Nas duas ocasiões, a Condessa, que agora fica lendo a Harper's Bazaar em sua nuvem presidencial enquanto eu e meus dois amigos trabalhamos no Avenida Brasil, quase parou na delegacia.

De uns tempos para cá, a primeira página do seu antigo jornal ganhou outras características, ora evidenciadas na crise do mensalão. Mas a campeã, publicada em 10 de fevereiro deste ano, está aí em cima.

Em vez de anunciar o título da Beija-Flor, o Jota, sempre ousado, preferiu exaltar o segundo lugar da Unidos da Tijuca. O resultado, TIJUCA, INOVADORA INTRUSA NO REINO DA BEIJA-FLOR, é uma das manchetes mais incompreensíveis da história do jornalismo.

2 Comments:

At 28 junho, 2005 08:53, Anonymous Mario Sérgio Conti said...

PARIS - Queria deixar uma correção, meu caro Castellinho, que só não contratei com salário milionário em minha época à frente do JB porque, como o jornal, o senhor já era finado: nenhuma manchete do distinto jornal nos últimos tempos é melhor do que a de sexta-feira, 24 de junho: "A teoria do governo, na prática, é outra coisa". Paulistano careta que sou, nunca deixaria uma manchete criativa como essa, com cara de letra do Caetano Veloso, sair no centenário!

 
At 29 junho, 2005 00:12, Blogger Carlos Castello Branco said...

PARAÍSO - Obrigado pela lembrança, Mario, mas já estamos tratando de um capítulo especial nesse Avenida sobre as manchetes bizarras da crise do mensalão. Quando você vier pra cá, vê se me traz um pote daquele gel do seu cabelo. Abraço gelado do Castello

 

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