quinta-feira, junho 2

A voz dos que não têm voz - o Jotaço




Meus companheiros de texto não sabem, mas aqui na Avenida Prado Júnior do céu eu quase todo dia tenho o hábito de dar uma passada no Cervantes estelar antes de ir para casa. Peço sempre o filet com queijo sem abacaxi, acompanhado do velho e bom chope com colarinho. Na saída, fumo um Carlton varejo (aqui no céu tem dessas coisas) e confiro na banca 24 horas da minha amiga Janis Joplin os jornais que vão chegando.
Eis que hoje no meu JOTA, desta quinta-feira, dia 2 de junho, abro a página de opinião e quase sou levado às lágrimas. Só não chorei porque estava procurando meu isqueiro.
O meu Jota tinha um artigo de RONALDO CAIADO.
Sim, não era uma miragem. O famigerado deputado do PFL finalmente tinha um espaço para se defender, depois que foi obrigado a determinar a censura daquele livro do Fernando Morais (jornalista sem a metade da credibilidade do meu amigo Caiado). A Justiça, sábia como nos bons tempos do nosso Garrastazu (aliás, joguei com ele outro dia uma ótima partida de Cricket com crânios humanos), mandou recolher a obra caluniosa.
Para quem não sabe, Morais revela no livro que escreveu sobre a W/Brasil que meu amigo Caiado propôs a esterilização das mulheres nordestinas por meio do uso de remédios próprios jogados nas águas dos açudes.
Pura balela. Caiado tem utilizações bem mais racionais para o nosso Paraíba, como colocação fixa em portarias de prédios e mesa de centro com boquete acoplado, no caso das mulheres.
O artigo tinha um título belíssimo, que me escapa à memória, algo como "POR QUE MEREÇO SER OUVIDO".
O melhor de tudo, caro amigo Castelo, caro amigo Saldanha: a pessoa responsável pela publicação não teve aquelas frescuras de mandar ouvir o Morais ou a editora. Deu o espaço e pronto. Que nosso Caiado fale o que quiser. Vai que o tal Morais fala alguma besteira e eles mandam recolher o nosso Jotinha das bancas?

5 Comments:

At 02 junho, 2005 01:57, Anonymous Anônimo said...

Sobre a página de Opinião, uma curiosidade.

O alto de sábado é assinado semanalmente por um tal Sergio Abramoff, que dá bizarras lições sobre medicina e bem-estar (isso mesmo, na página de Opinião do JB). O que os leitores não sabem é que trata-se do médico da família Tanure. Atualmente, é assim que o JB escolhe seu time de colaboradores.

Até pouco tempo, o espaço era ocupado por Alberto Dines, que dirigiu a redação nos momentos demaior glória do JB. Depois de criticar o relacionamento promíscuo do atual comando do jornal com o governo Garotinho, ele teve a coluna "suspença" - assim mesmo, com cedilha - em email enviado pelo presidente do inexistente "Conselho Editorial".

 
At 02 junho, 2005 01:59, Blogger Carlos Castello Branco said...

me atrapalhei com o copo de uísque e deixei de assinar a nota anterior

 
At 02 junho, 2005 02:13, Blogger João Saldanha said...

Caro Brito, seu texto me faz recordar um caso semelhante de defesa dos oprimidos. Em meados de 2003 (você morreu poucos meses antes, mas vai lembrar), o nobre Chiquinho da Mangueira foi denunciado pelo comandante 4º Batalhão, por ter pedido trégua em operações policiais no morro que leva seu sobrenome. Bombardeado por todos os lados e defendido apenas pelo casal Garotinho (que logo tratou de exonerar o comandante), Chiquinho foi buscar um porto seguro no Jota, que lhe cedeu uma página de entrevista. Fico até comovido ao lembrar esse ato de solidariedade.

 
At 02 junho, 2005 10:09, Blogger Dr.Brito said...

O dr. Castelo não entende, caro Saldanha, estas vicissitudes. Para deixar mais claro o que o Jotaço defende hoje, cito a frase do imortal Alberto Torres, ex-dono de O FLUMINENSE, a quem sempre encontro em caminhadas pela Lagoa Rodrigo de Freitas etérea: "Para que ter um jornal se eu não posso ajudar meus amigos?"
Esta foi uma grande lição de jornalismo.
Assim como foi grande lição de jornalismo a defesa do probo Chiquinho da Mangueira, cidadão ético, letrado e acima de qualquer suspeita.

 
At 02 junho, 2005 10:23, Blogger Dr.Brito said...

Ah, em tempo: esqueci de mencionar no texto o quanto fiquei emocionado quando achei um artigo do meu amigo WAGNER CANHEDO nas páginas de opinião. Fez bem a ele, que pôde ler e reler o artigo na prisão, dias depois.

 

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