domingo, julho 31

Bob, eu te amo!


SÓ LOVE - O Tio Patinhas do Cosme Velho agradece

A nau do JB anda tão à deriva que o jornal não consegue manter opinião nem nos editoriais. O resistente leitor que enfrenta aquelas páginas cheias de letrinhas deve ter se espantado neste sábado, quando o Centenário trouxe às bancas um texto fartamente elogioso ao (ex) concorrente da Rua Irineu Marinho.

O editorial, com título VIDA PLENA, começa dizendo que "há 80 anos, Irineu Marinho fundou um jornal diferente", com "consciência de que a liberdade de imprensa não é apenas o direito de quem faz o jornal, mas dos que o lêem e merecem pleno acesso à verdade".

Para o Dr. Roberto, que "honrou esse legado", só palavras de amor. Segundo o Jota, o velho zelou por "sua atuante presença em todas as fases da história do país e do Rio de Janeiro" e "expandiu as atividades jornalísticas no setor do rádio e da televisão, colaborando para a unidade cultural da nação", assegurando "trabalho e vida digna a artistas, escritores, gráficos, redatores e administradores". ("Boa parte aguarda o pagamento indenizações trabalhistas do JB", protesta o rabugento Saldanha, que ainda espera o dele na nuvem ao lado).

O texto deve ter feito os herdeiros do Doutor se debulharem em lágrimas, sensibilizados com a mudança de tom. Em 9 de fevereiro do ano passado, os editorialistas do Jota (dizem que agora só resta um) punham fogo pelas ventas. No dia anterior, O Globo registrara, em suas páginas de economia, a penhora da marca JB por causa de dívidas trabalhistas ("Sempre essa gentinha", resmunga a Condessa).

Vale recordar algumas pérolas da réplica, publicada com o título IMPÉRIO EM DECOMPOSIÇÃO:

* O povo não gosta da Globo. Em matéria de credibilidade jornalística, a empresa sofre de anemia crônica.

* Publicações como o Jornal do Brasil resistiram com altivez aos senhores da noite, e sofreram as habituais agressões desferidas pelos donos do poder. Já O Globo cumpriu ordens obedientemente, às vezes com animação, e se tornou o jornal preferido do governo autoritário.

* "A Rede Globo mente vinte e quatro horas por dia", afirmou o atual presidente da República. A frase continha um erro: pausas impostas no meio da madrugada por trabalhos de manutenção impedem que a emissora funcione ininterruptamente.

* Impérios nascem e morrem. Mas só os derradeiros ocupantes do trono, com o drama já em seu epílogo, percebem que governavam, havia tempos, um universo em estado de decomposição. Sobram sinais de que a Globo percorre esse roteiro tristonho.

E então vem a metáfora definitiva:

* ENQUANTO OS VEÍCULOS DA EDITORA JB GANHAM MUSCULATURA, AS RAMIFICAÇÕES DA GLOBO SEGUEM DEFINHANDO.

O JB costumava se dizer "o jornal da inteligência brasileira". Nos últimos tempos, seu leitor tem ficado com cara de idiota.

terça-feira, julho 26

À noite não acontece nada mesmo...


Clouseau: "Não acredito!"

“É do Povo? Aqui é do Batalhão de Operações Especiais da PM. Vamos sair daqui a pouquinho para uma operação na Rocinha. Se vocês quiserem ir junto, venham para cá depressa.” O repórter de plantão do jornal carioca O Povo alerta o fotógrafo e o motorista.

E os três saem, disparados, pela madrugada.

Em frente ao Bope formam rapidamente um comboio que exibe a mesma barreira de classe que separa os moradores da Rocinha e seus vizinhos milionários (inclusive muitos políticos!) de São Conrado. Na frente vai a elite: dois carros blindados, um da TV Globo e outro dos jornais O Globo/Extra; a seguir, a classe média: os carros do jornal O Dia, da Rádio Globo e da TV Bandeirantes não são blindados, mas os ocupantes têm direito a coletes à prova de bala; lá no fim, o velho carro do Povo, sem blindagem, sem colete, pneus nem sempre confiáveis, mas com a mesma sede de notícia.

Depois de ler a coluna do Milton Coelho da Graça, publicada hoje no Comunique-se, a Condessa convocou o velho Clouseau, que alisava a capa na enfumaçada nuvem dos detetives de antigamente.

O inspetor trapalhão pediu licença aos amigos Sam Spade e Miss Marple, que juntaram as lupas no Além, e pôs-se a investigar o nome do jornal carioca que não tem plantão de madrugada.

O bravo matutino O Povo já estava fora da lista.

Adivinhem o que ele descobriu.

domingo, julho 24

O polonês e a campista


"Rosinha, preciso dizer que te amo!"

Escroque profissional, Brito jamais admitirá a contravenção. Ébrio incorrigível, Castello não deve se lembrar de nada. Eles disfarçam, mas eu confesso, apesar do risco de ser beliscado pela Condessa por baixo da mesa. A pausa de uma semana neste Avenida teve um motivo, digamos, empresarial: tentamos extorquir o Acionista sob promessa de encerrar nossas atividades celestiais. Se pingasse algum na minha capanga, eu me recolheria ao sossego da eternidade.

Mas aquele homem, vocês sabem, é de uma honestidade ímpar. Olhou fundo nos meus olhos e balbuciou, em irritante sotaque baiano:

"Vá em frente, meu rei. Tô nem aí!"

Pois bem.

Cá estou eu de novo, sujando os dedos com a tinta do Centenário.

Na edição de domingo, claro, o ponto alto é o entrevistão de duas páginas no Caderno B com Arnaldo Niskier, secretário estadual de Cultura, imortal da Academia Brasileira de Letras, arroz de festa concursado e puxa-saco oficial da governadora.

Logo no título, um primor de imparcialidade:

Culto e educado, escritor fala de educação e cultura

No texto de abertura, o bom Ziraldo anuncia que o papo é a continuação de um debate que começou com Ricardo Macieira, da Prefeitura, sobre as questões culturais do Rio de Janeiro.

Nos dois primeiros terços do ping-pong, porém, só se fala sobre as origens polonesas do sobrenome Niskier, a infância em Pilares, as aventuras no futebol e no basquete, o início da carreira, as proezas na presidência da ABL... eu já ia desistindo quando, lá pelas tantas, o manda-chuva do suplemento resolveu entrar no tema anunciado.

Segue o trecho impagável:

Ziraldo - Quero conversar com você agora como secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

Niskier - Vou logo adiantando que tenho um prazer enorme de trabalhar com a governadora Rosinha Garotinho.

Ziraldo - Este é o Arnaldo Niskier!

Ah, desisto. Vou pro Caderno H!

sábado, julho 23

Nem o grid eles acertam


Décimo-quinto ou 16º, eis a questão

Os coleguinhas aqui do andar de cima não têm muita paciência pra Fórmula 1. Primeiro, porque não vêem legitimidade no esporte depois da batida do Gilles Villeneuve, da aposentadoria do Piquet e da esclerose do Fangio. E também porque já dedicam o dia inteiro a outras lembranças: os porres do Carlinhos Oliveira, as tiradas do Zózimo, a prancheta do Amilcar, os dribles do Dines na Censura, a transferência da redação para o faroeste da Avenida Brasil.

Discussões, só quando alguém reabre a bolsa de apostas pra ver quem será o próximo a se juntar a nós. Na última parcial, Villas-Bôas Corrêa tinha 38% de intenções de voto, contra 27% de Ferreira Gullar, 14% de Janio de Freitas, 12% de Danuza Leão e 9% de Israel Tabak, o caçula da turma.

Ansioso por notícias terrenas, acessei o JB Online para saber em que posição o Rubinho larga amanhã, em Hockenheim. Mas o site do Centenário estava indeciso. Na matéria com chamada de capa, dizia:

O heptacampeão mundial, o alemão Michael Schumacher, da Ferrari, é o quinto. Seu companheiro, o brasileiro Rubens Barrichello decepcionou e larga em décimo-sexto - Felipe Massa, da Sauber, está em décimo-terceiro.

Abaixo, no grid, mudava de idéia:

Confira o grid de largada:
1. Kimi Raikkonen (FIN/McLaren-Mercedes), com 1:14.320
2. Jenson Button (GBR/BAR-Honda), 1:14.759

(...)
15. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari), 1:16.230
16. Christijan Albers (HOL/Minardi), 1:17.519

Isso foi publicado às 9h de Brasília; este colunista leu às 17h40. Pelo visto - e dizem que isso agora é regra no Jota - ninguém notou.

quinta-feira, julho 14

Nuzman: "fator de respeitabilidade"


Pan 2007: "Cesinha, vamos faturar!"

Não é só na política do chuvisco que o Jota tem seus amigos. Instituições que zelam pelo esporte acima de qualquer negócio, com dirigentes honestos e que não se apegam aos cargos como os da CBF e do COB, também têm lugar cativo no caderninho, digo, coração do Acionista. O amor é tamanho que, no último sábado, o editorial do Centenário conseguiu ver nos atentados de Londres da semana passada um sinal de que o Rio é "o grande favorito" a sediar os Jogos de... 2016.

Isso mesmo. Vai começar o papo de candidatura olímpica de novo. Pelo menos vale para lembrar os editores que a cidade precisa de obras de infra-estrutura, construção de túneis, expansão do metrô. Enquanto isso, os dirigentes amigos planejam suas aposentadorias em formas de maquete de estádio, ginásio refrigerado, vila olímpica.

O curioso no editorial do Jota, além da absoluta falta de propósito, é o malabarismo retórico que transformou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, num "fator de respeito" do país "perante a comunidade internacional".

Só faltou dizer que o cidadão, que já comanda o COB há 10 anos e tem mandato até 2008, é marido da colunista Marcia Peltier - aquela mesma, líder das notinhas sobre a família Tanure, o Gattopardo e o Sky Lounge.

Marcia, por sinal, não perde um oba-oba patrocinado em nome dos atletas. Há duas semanas, estava em Cingapura para a escolha da sede olímpica de 2012. Quem terá pago sua passagem e estadia?

''O mundo do esporte quer realizar os Jogos no Brasil. Resta saber se o Brasil quer sediar os Jogos'', disse Nuzman (ele próprio um fator de respeito perante a comunidade internacional), ressaltando o papel fundamental que o apoio político doméstico exerce sobre a força de uma candidatura. (Editorial do JB, 9/7/2005)

terça-feira, julho 12

A loura da Barra


Vera Loyola guarda a colunista no peito

A vocação jornalística pode não ser o forte de Anna Ramalho, a colunista social do caderno JB Barra. Mas o coração é grande, especialmente se tiver chefe ou parente na jogada.

A sucessora de Maninha Barbosa (aquela mesmo, mulher do Leleco) gosta de ocupar bastante espaço - e aqui não vai nenhuma ironia com sua silhueta, pois a Condessa não admitiria tamanha falta de cavalheirismo no blog.

Até pouco tempo, Anna acumulava a coluna diária no Barra, uma crônica semanal no Caderno B e a página de apresentação da Domingo. Quando a revista mudou de editora e o espaço de Anna foi suspenso, ela usou seu canto no B para despejar fúria sobre a colega. Aí veio Ziraldo, o editor de panelinha na cabeça, e recompensou-a com mais duas aparições por semana em seu novo feudo.

Na coluna do Barra, que tem o título de Ui!, Anna adula os emergentes e paga à irmã, Bel Ramalho, um gordo salário de assistente de coluna (sem ironias, sem ironias). O sobrinho do Acionista também tem lugar cativo no peito:

Almoçando ontem com meu amigo e chefe André Tanure, no Sheraton Barra, à beira-mar plantado, fiz a ele uma confissão: que ando realmente mais leve, mais repousada, mais relaxada e muito, muito mais feliz, desde que me mudei profissionalmente para a Barra da Tijuca. (JB Barra, 27/2/2005)

Neste sábado, Anna dedicou a coluna no B a "grandes mulherzinhas" que, segundo ela, estão "batendo um bolão". Falou de Marilia Pêra, Marieta Severo, Heloisa Helena e Judith Miller, a repórter do New Tork Times que pegou cadeia por não entregar suas fontes. E aproveitou para homenagear uma editora que, sem ameaça de prisão, anda se vangloriando por ter traído a lei do off.

Ana Maria Tahan, outra debatedora e minha chefe no JB, morre se não for ao cabeleireiro no sábado escovar o louro cabelo e fazer as unhas. (JB, 9/7/2005, pág. B6)

Xama o profeçor Pasquale de novo!


"Não agüento mais!"

Hildezinha abriu assim sua coluna de segunda-feira:

Nosso medalista olímpico de ouro Rodrigo Pessoa vem ao Rio dia 8 de agosto para a última etapa do torneio...

Acho que essa mulher gasta todos os Hs no caderno de domingo, não sobra nenhum para o resto da semana.

segunda-feira, julho 11

Museu virtual de calúnias e difamações


Falou mal da Rosinha? Processo nele!

A alta cúpula do Centenário precisa mandar logo um mensageiro até o JB Online para avisar que Antonio Sepulveda não integra mais o quadro articulistas da casa.

Desde o dia 8 de junho, ou seja, pra mais de mês, o escritor sumiu misteriosamente da página de Opinião. Seu último texto, vejam que coincidência, mirava (e acertava em cheio) o governo estadual. A idéia era expor aos leitores uma ameaça de processo por parte do secretário Fernando Peregrino, guardião-mor de Rosinha Garotinho, citado outro dia pelo velho Brito aqui mesmo no Avenida.

A cada linha do artigo, os elogios se atropelavam:

Não deve ser tão difícil assim demonstrar que Garotinho seja um político medíocre, populista, demagógico e potencialmente danoso em qualquer cargo público que a irresponsabilidade humana lhe venha a confiar. (...)

O espevitado Peregrino entende que a mídia deveria elogiar essa corja. (...) Nem é necessário difamar a triste figura de Garotinho; este, sendo quem é, sabe fazer isso sozinho e com maestria.


Nas páginas impressas, Sepulveda nunca mais apareceu. O JB Online, porém, insiste em manter o difamador subversivo na seção dos colunistas. Dá para adivinhar qual texto ficou de testamento?

Se quiser ler a íntegra, vá em frente. Só tome cuidado para não ser flagrado pelo secretário-guarda-costas.

sexta-feira, julho 8

Meu nome se chama Nelson


Adoniran: " Nóis num semo tatu, mas nóis lemo o Jotinha "


Amigos e amigas,

Vou logo dizendo que sempre começo a ler o JB pelas erratas. É riso na certa. A edição de hoje, por exemplo, traz uma assim:

Diferente do que informou o editorial de ontem, chama-se Nelson Faria o nome do estudante assassinado no assalto à linha 2016.

O editorial em questão tinha trocado o rapazinho morto pelo assaltante que o matou, mas até aí tudo bem.

Feio foi escrever "chama-se (...) o nome".

Só faltou dizer que ele levou um tiro no estrombo depois de ter amostrado umas taubas a um adevogado.

O saudoso e letrado Adoniran Barbosa, que espiava o jornal por cima do meu ombro, está rindo e sambando até agora!

quinta-feira, julho 7

Casamento a um real



A sempre fantástica Hildezinha anuncia hoje em sua coluna o casório de Pedro Grossi Filho, rebento do vice-presidente que mais tem ajudado o JB a "dar a volta para cima". A união com Marcelle Telles será celebrada no dia 6 de agosto, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, com direito a "convite em cartão duro, na cor creme, elegantíssimo".

Agora, responda rápido:

Qual dessas celebridades NÃO está na lista de convidados?

a) Anthony Garotinho
b) Rosinha Matheus
c) Marcelo Itagiba
d) Ronaldinho Fenômeno

Razão e sensibilidade


"Vem no braço, Cruvinel!"

A mesa redonda do Jô quase virou uma arena de guerra na noite desta quarta-feira. Faltou pouco para que Ana Maria Tahan saísse no tapa com a colunista Tereza Cruvinel. Inebriada com a promoção recente no Jota, a loura não queria saber de ser interrompida no meio do seu... vá lá, raciocínio. E não foi só isso.

Além de brigar pela palavra, ela fez questão de retaliar a colega em cadeia nacional. Enquanto a Cruvinel analisava a crise, Ana gesticulava para o gordo, rodava o indicador ("depois sou eu!") e fazia aquele "T" de treinador de vôlei quando pede tempo.

No fim, a revanche. Quando a loura disparou o falatório pela décima-oitava vez, a cabocla do Globo não segurou o comentário: "Ihhh, começou". E então, certa de que as câmeras fechavam close na Ana, ficou rindo e olhando para baixo até que a madame fechasse o bico.

Brincos - Além do silêncio de Ana no primeiro bloco, outro fenômeno inusitado chamou a atenção dos telespectadores. A editora chefe do Jota, sempre discreta, escalou dois brincos compridos e dourados para o debate. Ela falava e o da orelha direita balançava, enquanto o da esquerda permanecia imóvel.

E no Rio... - A Lucia Hippolito, que estudou e sabe que persistir no erro é burrice, deve ter rido bastante no sofá de casa.

quarta-feira, julho 6

Xama o profeçor Pasquale!


"Tinha que ser o Jota!"

Cada planta, com três metros de altura, colocadas em vasos gigantes de um metro de diâmetro, fazem parte do projeto de revitalização do trecho da rua onde fica a entrada do Vertical Shopping, que adotou um trecho da rua.

JB, 5 de julho, pág. A17. Texto-legenda sobre as palmeiras australianas da Sete de Setembro.

Sai pra lá, Maquiavel



Quando não está peregrinando pelo mundo, Fernando trabalha como boneco de cera da Madame Tussout

Passou meio em branco a edição de Cidade do Jotaço de sexta-feira passada, se não me falha esta velha memória desgastada pelo consumo de Mansion House sem gelo e cubas libres com Pepsi. Mas se eu estivesse em terras terráqueas, cumprimentaria o jornalista que teve a brilhante idéia que vi nas páginas. Diante de um quadro de crise, com bombeiros, promotores públicos, policiais militares e policiais civis entrando em greve, nosso Jotaço vai e publica um artigo do guardião Fernando Peregrino, aquele que zela para que o chuvisco não respingue na imagem da governadora.
O rapaz que colocou o artigo, imagina-se, já andou até tomando chopes com o guardião lá no Bar Luiz, como propalou certa feita a plenos pulmões na redação, antes do grande passaralho me obrigar a assombrar outras paragens. Mas, enfim, não importa saber de quem foi a idéia: importa comentar seu mérito indiscutibilíssimo.
Em vez de falar da greve ou da provável situação de caos que adviria de uma greve como essa, nosso Peregrino dá uma digressionada básica e envereda pelo que sabe fazer melhor: dizer que o governo fez e gastou dinheiro.
Genial. Quase me fez cair da nuvem quente onde costumo ler meus exemplares da assinatura de O Cruzeiro (que ninguém do B do Zizi me leia agora, mas leio O Cruzeiro por causa do Millor, que já tem andado por aqui).
Peregrino discorre sobre a delegacia legal, sobre os investimentos em não sei quê e, de quebra, ainda esculacha o governo federal, colocando nele a culpa do estado de insegurança, dizendo que a culpa de tudo é da "falta de repasse da verba".
Maquiavel ficou lendo por cima do meu ombro, tal e qual papagaio de pirata, e ficou corado. Mandei ele ir na banca celestial comprar seu próprio Jotaço.
Portanto, parabéns ao Cidade. O próximo passo deve ser - recomendo - um pinguepongue com o Itagiba, mas sem falar de insegurança ou violência.

terça-feira, julho 5

Foi-se minha paz




Aos que não me conhecem, muito prazer.

Sou Lena Frias.

Parti do Aiyê para o Òrun em 2004, três anos após romper laços de afeto com o Jornal do Brasil de forma melancólica. Meu compromisso com tudo que exprime as matrizes da identidade brasileira foi violentado pela direção da casa, que resolveu me encostar na seção de Política, desprezando décadas de contribuição ao Caderno B.

Tudo bem. Não é hora de choradeira.

Confesso que a simpatia pelos orixás me fez imaginar um céu bem diferente deste onde repouso agora. Logo na chegada, percebi o que a vida eterna me reservava: ficar para sempre sentada numa nuvem conversando com Candeia sobre samba de terreiro.

Ou seja, adorei.

Tudo corria bem até que apareceu a chata da condessa Pereira Carneiro e me provou que existe o Purgatório.

Sob pena de passar a eternidade ouvindo Mamonas Assassinas, fui forçada a me alistar neste Avenida Brasil, uma espécie de Serviço Celestial Obrigatório.

De hoje em diante, rascunharei aqui minhas impressões sobre o que se passa nas páginas e nos corredores do JB.

Fiquem tranqüilos: não pretendo dissertar sobre as raízes pré-ibéricas do boi amazônico, os mistérios caboclos dos caruanas ou os barros de Adauto e Tracunhaém. Ao menos por enquanto.

Axé,
Lena

Um dicionário para Aldir Blanc

Que o humor não é o forte de Aldir Blanc, só o Ziraldo não tinha notado ainda. A novidade é que a falta de talento do compositor se estende à língua portuguesa. Se o homem de Caratinga não estivesse pagando bem, a gente promoveria uma vaquinha para entregar um Aurélio em Vila Isabel.

1. Carece de fundamento a notícia de que Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério, pousará nua para o número natalino da revista Playboy.

2. Carece de fundamento também a notícia de que o publicitário e mala Marcos Valério pousará nu para a nova revista feminina É dos Carecas que Elas Gostam Mais.


Esses foram os dois parágrafos iniciais da coluna de hoje. Aproveitando um momento de distração da Condessa, que fiscaliza a leitura de chicote em punho, larguei aí mesmo.

Devidamente entronada


Ana Maria está pronta para reencontrar o Jô

Não sei se alguém reparou no expediente do Jota, mas o status interino de Ana Maria Tahan já é coisa do passado. Após a cintilante participação no Programa do Jô, ela finalmente foi efetivada como editora-chefe do Centenário.

E mais: encantado com a performance arrebatadora, o gordo chamou a digníssima senhora para voltar ao talk-show esta semana.

Nesse ritmo, ela ainda acaba roubando a cadeira do Acionista...

Acelera, minha loura!

segunda-feira, julho 4

Antonia já foi


Alagados, Bahia: ausente no 'Conheça o Brasil jogando golfe'

O humor que falta nas colunas do Caderno B do Ziraldo continua sobrando nas participações de Antonia Leite Barbosa no JB. Ontem, a dublê de colunista e assessora de imprensa da filha do Acionista dedicou a nota principal de suas duas páginas na Domingo ao empreendedorismo do diretor de marketing do Hotel do Frade. Imbuído do espírito esportivo, ele trouxe para o estabelecimento a segunda etapa do circuito Conheça o Brasil jogando golfe.

De fato, ainda não se tinha notícia da função didática desse esporte popular para mostrar a diversidade do nosso país. Empolgado com o projeto, este Avenida sugere que as próximas etapas levem nossos desportistas para conhecer o Aterro de Gramacho, instância de odores naturais em Duque de Caxias, e o Capão Redondo, aprazível vizinhança da capital paulista. Se estiverem interessados em trocar os tacos por uns mergulhos, recomenda-se a visita ao balneário dos Alagados, em Salvador, imortalizado na canção dos Paralamas.

Mas a nota do golfe não foi o momento de maior brilho de Antonia no JB deste domingo. Como já notou o velho Saldanha, as perguntas da moça são o melhor das entrevistas pasquinianas do B, aquelas que pagam um salário de editor e uma gorjeta ao pessoal da mesa.

Esta semana, a sabatinada foi a senadora Heloisa Helena, do P-SOL. Preocupada com as denúncias do mensalão e com a crise institucional que ameaça o país, Antonia formulou três questões que demonstram como a juventude está, de fato, interessada nos rumos do país:

- E por que você sempre usa jeans e camiseta?

- Você pratica remo, né? Seu professor falou que você não rema pra direita, só pra esquerda!

- As pessoas gostam muito de você também por causa das suas frases de efeito, né? "Comigo é quente ou frio. Morno eu vomito".

E você, leitor do Centenário? Já pôs o dedo na garganta hoje?