terça-feira, julho 5

Foi-se minha paz




Aos que não me conhecem, muito prazer.

Sou Lena Frias.

Parti do Aiyê para o Òrun em 2004, três anos após romper laços de afeto com o Jornal do Brasil de forma melancólica. Meu compromisso com tudo que exprime as matrizes da identidade brasileira foi violentado pela direção da casa, que resolveu me encostar na seção de Política, desprezando décadas de contribuição ao Caderno B.

Tudo bem. Não é hora de choradeira.

Confesso que a simpatia pelos orixás me fez imaginar um céu bem diferente deste onde repouso agora. Logo na chegada, percebi o que a vida eterna me reservava: ficar para sempre sentada numa nuvem conversando com Candeia sobre samba de terreiro.

Ou seja, adorei.

Tudo corria bem até que apareceu a chata da condessa Pereira Carneiro e me provou que existe o Purgatório.

Sob pena de passar a eternidade ouvindo Mamonas Assassinas, fui forçada a me alistar neste Avenida Brasil, uma espécie de Serviço Celestial Obrigatório.

De hoje em diante, rascunharei aqui minhas impressões sobre o que se passa nas páginas e nos corredores do JB.

Fiquem tranqüilos: não pretendo dissertar sobre as raízes pré-ibéricas do boi amazônico, os mistérios caboclos dos caruanas ou os barros de Adauto e Tracunhaém. Ao menos por enquanto.

Axé,
Lena