domingo, julho 24

O polonês e a campista


"Rosinha, preciso dizer que te amo!"

Escroque profissional, Brito jamais admitirá a contravenção. Ébrio incorrigível, Castello não deve se lembrar de nada. Eles disfarçam, mas eu confesso, apesar do risco de ser beliscado pela Condessa por baixo da mesa. A pausa de uma semana neste Avenida teve um motivo, digamos, empresarial: tentamos extorquir o Acionista sob promessa de encerrar nossas atividades celestiais. Se pingasse algum na minha capanga, eu me recolheria ao sossego da eternidade.

Mas aquele homem, vocês sabem, é de uma honestidade ímpar. Olhou fundo nos meus olhos e balbuciou, em irritante sotaque baiano:

"Vá em frente, meu rei. Tô nem aí!"

Pois bem.

Cá estou eu de novo, sujando os dedos com a tinta do Centenário.

Na edição de domingo, claro, o ponto alto é o entrevistão de duas páginas no Caderno B com Arnaldo Niskier, secretário estadual de Cultura, imortal da Academia Brasileira de Letras, arroz de festa concursado e puxa-saco oficial da governadora.

Logo no título, um primor de imparcialidade:

Culto e educado, escritor fala de educação e cultura

No texto de abertura, o bom Ziraldo anuncia que o papo é a continuação de um debate que começou com Ricardo Macieira, da Prefeitura, sobre as questões culturais do Rio de Janeiro.

Nos dois primeiros terços do ping-pong, porém, só se fala sobre as origens polonesas do sobrenome Niskier, a infância em Pilares, as aventuras no futebol e no basquete, o início da carreira, as proezas na presidência da ABL... eu já ia desistindo quando, lá pelas tantas, o manda-chuva do suplemento resolveu entrar no tema anunciado.

Segue o trecho impagável:

Ziraldo - Quero conversar com você agora como secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

Niskier - Vou logo adiantando que tenho um prazer enorme de trabalhar com a governadora Rosinha Garotinho.

Ziraldo - Este é o Arnaldo Niskier!

Ah, desisto. Vou pro Caderno H!

5 Comments:

At 24 julho, 2005 23:19, Blogger Carlos Castello Branco said...

Distraído com a campanha do Botafogo, João Sem Medo não atentou para o subtexto da entrevista com o polaco.

Ziraldo, o editor de panelinha na cabeça, é candidato a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

Aquela mesma, que no passado abrigou jornalistas e escroques de verdade como eu e o Doutor Assis Chateaubriand, respectivamente.

Discretamente, ou nem tanto, o preto véio de Caratinga usa seu novo feudo no JB para fazer lobby com os anciãos do Petit Trianon.

Como se sabe ("se já se sabe, porque repetir?", berra da nuvem concorrente o velho Evandro Carlos de Andrade), Niskier dá as cartas em uma boa fatia da casa.

"Boa", ressalte-se, no sentido quantitativo.

 
At 25 julho, 2005 03:35, Blogger Carlos Castello Branco said...

errata: "por que repetir"

 
At 25 julho, 2005 07:50, Anonymous Ziraldo said...

O que vcs não comentam são as diárias capas do Jornal do Brasil que renegam a tradição do JB! O que são aquelas letras de Jornal O Dia na capa de cada edição? O que é aquela coisa preta sem serifa? Parece que toda notícia que se lê é: "Marido mata mulher com machado". Eles pensam que porque ganharam o Prêmio Esso podem fazer qualquer coisa com a primeira!

 
At 25 julho, 2005 10:34, Anonymous EP said...

Olha aí o lobby de novo: Marido mara mulher com MACHADO. Vocês não vêem a sutileza do preto velho.

 
At 25 julho, 2005 14:40, Anonymous Anônimo said...

não acredito que vou escrever isso, mas concordo com o ziraldo que a primeira do jotinha, especialmente a fonte, é muito grosseira. é horrível!

 

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