quarta-feira, agosto 31

O jornal do pizzaiolo


INSTINTOS PRIMITIVOS - "Meu jornal sem azeitona, por favor"

A lama ficou paralisada. De uma semana para cá, só dá pizza nas manchetes pseudojornalísticas do Centenário. É a alegria do Coroa da Tijuca, aquele milico reformado de chinelão que, diferentemente da Vovó Vitória e da Velhinha de Taubaté, vive atrás de argumentos para falar mal do governo.

O idoso não quer mais saber da gloriosa Tribuna da Imprensa, o único jornal que falava a verdade e enfrentava os poderosos. Ele já tinha chorado de emoção quando o PFL usou uma das pérolas recentes do Jota, PT PATINA NA LAMA, em sua propaganda eleitoral na TV. Agora ouve o que queria: "Taí, essas CPIs não vão dar em nada". E coça a barriga, satisfeito: "Eu já sabia". Mesmo que os relatórios das comissões não tenham sido sequer apresentados.

Na ânsia pela identificação, o jornal do Olavão recorre aos instintos mais primitivos do leitor reaça:

* CHEIRO DE PIZZA NO AR (sexta, 19/8)
* VOTO SECRETO EM PLENÁRIO AQUECE A PIZZA (segunda, 29/8)
* DEPUTADOS REBATEM PIZZA COM ACORDÃO (quarta, 31/8)

Engraçado, o Centenário. O jornal já usava as matérias de capa de suas revistas, sem o menor pudor, para fazer propaganda da pizzaria do dono (outro dia, pegaram carona até em reportagem sobre "solteiros cobiçados" na Domingo).

Fica a sugestão de manchete para domingo:

* DEPUTADOS FAZEM FILA NO GATTOPARDO

terça-feira, agosto 30

Boas companhias


PROZAC - "Tô meio tristinho hoje... vou pedir uma nota no JB"

O projeto "Olhares sobre 1945 - 60 Anos do Fim da Segunda Guerra Mundial", série de reportagens especiais e conferências que debateram a participação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial, rendeu ao presidente do Jornal do Brasil, Nelson Tanure, a Medalha do Pacificador, honraria concedida pelo Comando Militar do Leste. A homenagem é feita anualmente a militares e civis que tenham prestado serviços ao Exército. A data escolhida, 25 de agosto, é o Dia do Patrono do Exército, o Veterano da Independência Duque de Caxias.

Também foram condecorados o secretário estadual de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, o diretor de comunicação da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), João Augusto Monteiro, e o coronel do Corpo de Bombeiros, Carlos A. de Carvalho, entre outros.
(JB, 26/8)

Não lavo o Carvalho


EUFORIA - Leitor de Olavo comemora sua volta à imprensa carioca

O Centenário acaba de inventar um novo gênero jornalístico: a entrevista apócrifa. Neste domingo, o jornal publicou um ping-pong de página inteira com Olavo de Carvalho, "filósofo" recém-demitido do Globo que passa a escrever semanalmente na página de Opinião. A pergunta levantando e a resposta cortando. Sem assinatura.

Olavão falou o que quis. Em sintonia com o udenismo que rege as manchetes do jornal, usou argumentos científicos para meter o pé na porta da legalidade.

O governo como está tem que ser tirado imediatamente, porque o que eles fizeram vale por mil PCs Farias. Tem que criar um governo provisório e uma eleição daqui a seis meses. Não entendo tecnicamente dessas coisas. Mas tem que tirar esses camaradas.

Apesar da empatia inicial, convém ao "filósofo" não se empolgar com a generosidade do Almirante que, dizem, contratou seus serviços em bases faustosas para os padrões atuais do JB.

A casa será tolerante com sua retórica de Clube Militar enquanto a histeria não incomodar o Palácio Guanabara. Na primeira estocada contra o casal Garotinho, Olavão conhecerá a porta da rua - como o antigo titular da ultradireita na casa, o Sepulveda, que criticou o governo estadual e acabou na sarjeta há menos de três meses.

Melhor confiar no jabá garantido do patrocinador oficial, o "empresário" Ronald Levinsohn.

segunda-feira, agosto 29

Vai pastar, Lafond!


O Estadão concordou com o Avenida. Vera Verão não gostou

Salve, meus pretos! Vamos interromper o batuque para registrar as novidades do blog. Diferentemente do Jota, o Avenida Brasil é lido nas outras redações e já provoca repercussão do outro lado da Dutra. Vejam o que escreveu o Sérgio Augusto no Estado de S.Paulo deste domingo, depois de nota publicada sete dias antes neste blog:

Certos jornalistas estão abusando do açodamento, da irresponsabilidade e do off, como se o mar de lama em que os Irmãos Metralha do PT nos atolaram exigisse, para combinar, uma imprensa, se não marrom, begezinha. Que cor, aliás, melhor qualificaria o tipo de nota que a colunista social Hildegard Angel dedicou, na sexta-feira da semana passada, ao doleiro Hélio Laniado?

Como é do conhecimento de todos, Laniado, sócio de Toninho da Barcelona, foi preso em Praga pela Interpol sob acusação de remessa ilegal de US$ 1,2 bilhão para o exterior, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Porque considera US$ 1,2 bilhão 'uma gotinha d´água no escândalo de mais de US$ 30 bilhões do Banestado', a colunista do Jornal do Brasil teve o desplante de incensar o doleiro playboy e oferecê-lo como um dos solteirões mais cobiçáveis da praça. (...) Hilde inventou o classificado de trambiqueiro.

O colunista cor-de-rosa discordou do veterano articulista e da finada sambista que vos fala: "Vocês são uns tolinhos, que não sabem ler jornal", protestou, escondida pelo anonimato em nosso espaço de comentários, a Vera Verão do Rio Comprido.

Nos dias de hoje, o puxa-saquismo parece suficiente para garantir empregos no Centenário. Mas nunca é tarde para lembrar: às vezes, o mamador se entrega pela vírgula.

terça-feira, agosto 23

Notícia de anteontem


MATUSALÉM - "Essa foi mais velha do que eu!"

O que é notícia? Por exclusão, aquilo que não sai na 1ª página do JB.

Nesta terça, dia 23, o Centenário "antecipou" em chamada que "O traço de Oscar Niemeyer vai se fundir à arte digital de Hans Donner na abertura da minissérie de TV sobre Juscelino". A informação foi vendida aos incautos como furo da coluna Informe JB.

Ocorre que a mesma parceria foi publicada na quinta passada, dia 18, em duas colunas do Globo: Gente Boa e Controle Remoto.

Os editores do JB deviam dedicar os intervalos entre as atividades criativas à leitura dos jornais. A medida pode não melhorar o Centenário. Deve, ao menos, poupá-lo desse tipo de vexame.

Sobre viagens e deboches



Tenho reparado que meus confidentes Castelinho e João Sem Medo, além da bela Lena Frias, vira e mexe soltam comentários sobre minha falta de atividades neste belo sítio eletrônico. Um deles inclusive fez comentários em tom de galhofa sobre meu uso de bengala, uma legítima Biarritz em madeira de lei, datada de 1925 - uma ótima safra de bengalas, aliás. Ora, certamente não é o meu estado manquitolento que me impediu nos últimos dias de tecer comentários sobre o meu valoroso Jotaço, que vem acompanhando o escândalo do mensalão com o devido estardalhaço, sempre colocando esta gente do PT no seu devido lugar. Não perdi uma das manchetes sequer, a maioria, aliás, como já foi comentado, com o bom uso da palavra "lama".
Na nuvem aqui ao meu lado, pertinho de onde está o Filinto Muller e o Gregório Fortunato (estão expiando os pecados para poderem descer puros ao inferno), o meu colega e ex-governador Carlos Lacerda dá suspiros a cada manchete que nos traz o menino-jornaleiro celestial. Aos berros, o menino grita coisas como 'Extra, extra, mar de lama paralisa Brasília", e Lacerda se debulha em lágrimas, invejoso. "Ah, eu no JB de hoje!", suspira toda hora, enquanto leva esporros homéricos de Assis Chateaubriand, já que a cada lamento o bom Lacerda demora para jogar fora a carta no emocionante jogo de buraco que travam há 40 anos (partida de 200 milhões, ficando vulnerável aos 100).
Meu sumiço tem uma explicação: andei assombrando as plagas portenhas, em busca de uma resposta para a grande questão da humanidade: quem é melhor, Maradona ou Pelé?. Entre bonardas, malbecs e carnes maturadas feitas com precisão argentina, pude filosofar à vontade. Na Plaza de Mayo, tive um daqueles insights, e chorei ao perceber que não tínhamos mais a Márcia Carmo como correspondente entre os hermanos. Passeando pelos bairros mais pobres como a Avellaneda, Almagro e outros mais, lamentei que nosso Jotaço não tivesse mais a penetração internacional que tinha no tempo em que eu, da carne, tinha também as dores.
Ao chegar de Buenos Aires, onde assombrei por uns 10 dias, eis que tenho o choque supremo: Lacerda e Chateaubriand estão rindo do meu Jotaço. Às gargalhadas, me deixam extremamente ofendido, quando me passam a coluna da charmosíssima Hilde, com a nota que reproduzo abaixo:

E já que estamos na Bahia, Daniela Mercury festejou no sábado seus 40, completados em julho quando estava em turnê pela Europa, com um cuscus marroquino temperado com a presença de Ana Maria Braga, que chegou no mesmo dia a Salvador com seu love marinheiro e, do aeroporto, seguiu num helicóptero direto para uma suíte do Hotel Sofitel de Itapoã. Très nouveau...

Perguntei se o risível era a menção à dileta Ana Maria Braga ou ao aniversário de Miss Mercury. Qual não foi a minha surpresa quando os dois preciosistas me disseram que riam a morrer (epa) da grafia de cuscuz. "Com S no final e mais a expressão marroquino, bom, fica parecendo que o prato principal do encontro foi travesti recém-operado, meu caro Brito", disse o rude Chatô.
Chatô é mesmo um chato.

Vai pro tronco!


"Ô estagiário, quantas vezes eu preciso falar
que não pode entrar na redação descalço?"



Por um instante, achei que estávamos de volta aos tempos nublados do regime militar, quando o velho Jota driblava a censura e publicava na marra o tal material subversivo. Entrelinhas, sabe?

Pois confiram comigo o lead de uma matéria sobre estágios, que saiu no caderno de Economia deste domingo:

As más intenções das empresas que recorrem ao expediente do estágio somente para preencher vagas com mão-de-obra barata, sem proporcionar ao estudante um treinamento de qualidade, decorrem da própria deterioração do mercado de trabalho, apontam especialistas.

Com cara-de-pau única na imprensa brasileira, só o Centenário é capaz de se auto-esculhambar dessa forma.

domingo, agosto 21

Príncipe encantado (2)


O carequinha de Minas. Mas pode chamar de Brad Pitt

Sem notícias a dar, as colunistas sociais do JB resolveram se dedicar a um novo filão jornalístico: a indicação de noivos ricos para as leitoras (ou para suas filhas). Neste domingo, Anna Ramalho anuncia rapaz que termina namoro e deixa carro na garagem. Na sexta, a inigualável Hildegard Angel fez outra interessante sugestão. Vejam:

Excelente papo, interessado por tudo à sua volta, com boa base cultural, dominando qualquer assunto, Hélio Laniado é daqueles que sabem ser ricos. Gosta e entende de vinho como poucos, demonstra bom gosto para se vestir, sempre de maneira discreta, pratica ginástica regularmente e, além de colecionar mulher bonita, cultiva outros hobbies simpáticos, como, por exemplo, ser DJ de suas próprias festas e das festas dos amigos...

O rapaz, como informa a própria Hilde, é sócio do doleiro Toninho da Barcelona e foi preso em Praga pela Interpol sob acusação de remessa ilegal de US$ 1,2 bilhão para o exterior. Mas isso não é nenhum impedimento para a colunista. Como observa a loura, a quantia escamoteada é apenas "uma gotinha d'água no escândalo de mais de US$ 30 bilhões do Banestado".

Então tá perdoado!

Príncipe encantado (1)


"Oh, Maria gasolina, se você entrar na minha
Eu te dou uma pick-up, meu bem"

Alô, meus pretos! É tanto sambista subindo no telhado que nem dá tempo de seguir as ordens da Condessa. Sob ameaças de ficar de castigo longe do batuque, peguei o JB deste domingo na ponta dos dedos, a distância segura do nariz, e joguei a papelada no terreiro. O suplemento Barra caiu aberto na coluna Ui!, da Anna Ramalho. Vejam o que conta a Ofélia dos emergentes:

Cavalheiro - Trata-se de um gentleman dos velhos tempos o empresário Rafael Alves, ex-namorado da bela Carol Castro. Terminado o idílio, deixou de presente para ela o carro que lhe havia dado: um Peugeot 206. Completíssimo. Em tempo: já tem fila de garotas na porta do rapaz. Ui!

Palocci tem CC


MÁRTIR - "Só faltava errarem meu nome!"

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, está prestes a completar dois anos e oito meses na Esplanada. Pode cair antes disso, caso as denúncias do outro gordinho carcamano sejam confirmadas. Mas já terá sido tempo suficiente para o JB aprender a grafia do seu nome.

Na edição deste sábado, o Centenário escreveu duas vezes Palloci, trocando a consoante repetida do ministro língua-presa. Hoje repete a dose, no texto que abre as páginas de política.

Se o Jota tropeça até nisso, o que dirá nas notícias.

sábado, agosto 20

Alfabetização solidária


Hummm... ainda não entendi... pode repetir?

Desculpem aí a ausência, mas a Condessa me deu uma breve folga e eu descobri outros prazeres no paraíso além de falar mal do Jotaço (para usar a expressão do velho Brito, que emprestou a bengala ao Miguel Arraes e não consegue nem mais andar, que dirá escrever algumas linhas nestas páginas). Poucas coisas são mais agradáveis, por exemplo, do que se debruçar à beira de uma nuvem e ficar cuspindo lá embaixo para, quem sabe, num lance de sorte, acertar o penteado tosco da Anna Ramalho.

Mesmo curtindo o descanso, andei bisbilhotando os textos do Castelo, que não faz outra coisa a não ser beber e digitar. Percebi a imensa paixão que ele nutre pelas manchetes do Centenário, e por isso volto do retiro com uma humilde colocação acerca do tema.

Nosso colunista etílico já deixou claro que a equipe do aquário adora dizer que o governo está paralisado, que a paralisia atingiu o presidente, que a crise paralisou o Planalto.

Até aí tudo bem. O que me deixou surpreso foi ver, numa capa do caderno de Economia esta semana, o belo quadro de serviço explicando o fim da greve no INSS, com o título em destaque:

"O desfecho da paraliZação"

Ou seja, a primeira página fornece lições diárias sobre como escrever esse raio de palavra, e nem assim a mulambada aprende!

sexta-feira, agosto 19

Amigos da caserna


TEMPOS IDOS - Em 1968, o Jota preferia esnobar o soldo

Você conhece esta foto. A imagem da passeata dos Cem Mil, de Evandro Teixeira, ficou registrada na História pelas páginas do JB. Mesmo sem fazer oposição sistemática à ditadura, o jornal foi protagonista de alguns dos momentos mais notáveis de resistência ao regime. Como colunista da página dois do Centenário, tive a honra de participar de parte desses grandes momentos da imprensa nacional.

Carregamentos de líquido precioso, trazidos da Escócia por aviões da FAB com apoio técnico do SNI, não foram suficientes para comprar nossas opiniões. No máximo, registrávamos a medalha de bronze recebida pelo filho daquele sargento no torneio de tiro ao alvo do Forte do Leme. Transigir politicamente com os gorilas, jamais.

Mas os tempos, como antecipou Bob Dylan, mudaram. Nesta sexta-feira, o Jota traz uma reportagem com cara, cheiro e gosto de arapuca de quartel. O estelionato editorial começa no título: Ex-ministro do Exército critica o governo. Sem assinatura, o texto é mais comedido ao classificar as palavras do general Leônidas. O ex-ministro fez "veladas ressalvas sobre a atuação do ministro da Defesa e vice-presidente José Alencar", informam as letras miúdas no fim do primeiro parágrafo.

A peça expõe o nome do jornal no subtítulo e repete a sigla outras cinco vezes no corpo do texto, uma façanha digna de edição comemorativa para consumo da diretoria. É nesse realismo além da vontade do rei que o Centenário acaba tropeçando na casca de banana. Na reta final, a matéria reproduz uma das declarações mais edificantes da trajetória do matutino. O autor é o representante do Almirante para assuntos do Piantella:

- São oportunidades como esta que ampliam os conhecimentos sobre a participação do Brasil em tempos de guerra. O povo que tem memória, tem orgulho - avaliou o vice-presidente do Jornal do Brasil, jornalista Paulo Marinho.

Essa parte do "jornalista Paulo Marinho", sinceramente, eu não conhecia. É por isso que não largo o Jota: todo dia tem algo de novo para aprender.

quarta-feira, agosto 17

Lama nas idéias


FLAGRANTE - Momento de inspiração no aquário do Jornal do Brasil

Não é só de diagramação tosca e texto sensacionalista que se faz uma primeira página no JB de 2005. Desde o início da crise do mensalão, os mancheteiros do Centenário deixam escapar sua obsessão pela lama. Nos últimos dias, já foram cinco as citações à sujeira no título principal do Jota. Freud explicaria, se não estivesse certo do calote. O velho judeu, como os jornalistas profissionais, tem contas a pagar.

A manchete desta quarta-feira, NOVAS DENÚNCIAS JOGAM MAIS LAMA NAS ESTRELAS DO PT, combina a parcialidade habitual a outros dois recursos em voga no 110 da Rio Branco: redundância e trocadilho de gosto duvidoso com o símbolo do partido.

Para que não fique como exagero, segue o histórico recente da primeira página. Se isso é jornalismo, melhor arrumar outro nome pra o que eu fazia no século passado.

04/7 - PT PATINA NA LAMA
09/8 - DIRCEU GANHA SOBREVIDA E PT ATOLA MAIS NA LAMA
13/8 - A LAMA SOBE A RAMPA
10/8 - PT PROPÕE SAÍDAS PARA O MAR DE LAMA

segunda-feira, agosto 15

Mais um repeteco


PARALISIA CEREBRAL - Vacina para os mancheteiros do Jota!

Esse negócio de "paralisar" vicia, a julgar pelo uso recorrente do verbo na primeira página do JB. Este velho colunista, um ingênuo, pensou que o infeliz termo só se aplicasse aos depoimentos na CPI. Mas quando falta informação, os mancheteiros do Centenário mostram que um bom clichê é como Bombril: tem 1.001 utilidades.

As páginas acima são dos dias 1º e 15 de agosto.

Por falar em vício, dizem que idéia fixa é sintoma de... deixa pra lá.

terça-feira, agosto 9

Tanure, Itagiba, Zveiter, Julio Lopes


Isso é elite no Brasil? Rararará

Dizem que se conhece uma festa pela lista de convidados. E pelo relato na coluna social, acrescentaria este velho periodista. Exasperada com a cafonice da nova burguesia que comanda seu antigo matutino, a Condessa me obrigou a ler a crônica do casamento de Pedro Grossi Neto, filho do vice-presidente para o PMDB, publicada no Jota de hoje.

Hildegard Angel, a madrinha das emergentes, deu destaque médio ao casório. Estava ocupada com o GP Brasil e os exóticos penachos que seu leitorado gosta de usar para ver cavalos. Gente que Hilde insiste em afagar com um francês de Carrefour, chamando cafona de très chic e magano ocioso de hors concours.

A colunista encontrou lugar para bajular a "mãe do chefe de polícia, Dora Itagyba". Até elogiou "seus olhos azuis combinando com o shantung azul-claro do seu tailleur".

O título da coluna já merecia nota no Avenida: "Borbulhando nas patas dos pocotós".

A próxima, por favor.

Márcia Peltier, a divulgadora oficial do Comitê Olímpico, voltou a mostrar por que não arreda pé da liderança do campeonato de bajulação. Publicou fotos do casal e duas notas sobre o banquete. O leitor que segurou o engulho foi informado que a história do pequeno Grossi, que conheceu a noiva num encontro de jovens católicos em Toronto, emocionou a todos.

Suspeita-se que alguns convidados, atentos às lágrimas dos incautos, tenham aproveitado para furtar-lhes a carteira. Com o capo presente, não adiantaria chamar a polícia.

Concorrida -
Lúcia e Pedro Grossi, radiantes com o casamento do filho, recebiam os amigos na recepção no Hotel Sheraton. Entre muitos, Nelson e Patrícia Tanure, o secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, e Gabriela, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, e Maria Antônia, Márcia e o ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, o secretário Sérgio Zveiter, Hélène e o presidente da Light, Jean-Pierre Bell, o deputado Júlio Lopes e Elizabeth e Gabriel Stoliar, da Vale do Rio Doce.

PS: Diferentemente do que publicou o bom Saldanha, a festa não teve entrada a um real. "Populismo é para o povo", observaria Acácio - o conselheiro, não o ex-goleiro do vasco.

quarta-feira, agosto 3

A pilantragem atravessa a Ponte


ARARIBÓIA, TREMEI - Mais um panfleto para o Gato Angorá

Emissários da terra informam que Niterói, aquele estranho povoado do outro lado da Baía, será brindada com o lançamento de um caderno diário do Jota em fins de agosto.

Se o modelo do empreendimento for o JB Barra, como dizem por aí, os tamoios serão obrigados a pagar novamente pela traição à Coroa (Portugal, não a Condessa).

Com uma diferença.

Na Barra da Tijuca, o caderninho só tem shoppings, empreiteiros e emergentes a agradar.

Em Niterói, a aventura deve abarcar (com trocadilho) outras pragas. Encabeçam a lista Sergio Zveiter e Moreira Franco, amigos da casa e próceres do PMDB local.

Dize-me com quem andas...


TONY, O INELEGÍVEL - Quem paga, manda

Arnaldo Niskier, o imortal que tem "prazer enorme" em trabalhar com a governadora Rosinha, é um homem leal com os amigos.

Cinco dias depois de ocupar as generosas páginas centrais do B de domingo (24), mandou publicar no caderno um anúncio de quase página inteira da secretaria estadual de Cultura.

Quem pagou a conta fomos nós, claro.

No mesmo dia, o intelectual-a-um-real pegou carona em matéria recomendada do Cidade. Para aparecer no Centenário, dizem que fez até sinal da cruz.

Uma missa celebrada na manhã de ontem pelo cardeal arcebispo emérito do Rio, dom Eugênio Sales, deu início à série de comemorações que vai celebrar os 25 anos da primeira visita do papa João Paulo II ao Rio. As homenagens à data continuaram na Casa Brasil, sede do Jornal do Brasil, no Rio Comprido, com a presença de dom Eugênio, do secretário estadual de Cultura, Arnaldo Niskier, e do vice-presidente do JB, Pedro Grossi, entre outras personalidades.

segunda-feira, agosto 1

Clichê reciclado


APAGÃO - Depoimento paralisa os cérebros no aquário do Jota

Quando falta informação, a primeira página do JB ataca de clichê (ou CLICHÊ, com a caixa alta que nem o Extra tem coragem de usar).

Alguém deveria recomendar aos gênios do aquário que, pelo menos, evitem a repetição. A manchete de hoje, DEPOIMENTO DE DIRCEU PARALISA O GOVERNO, é um bom exemplo da falta de memória que abate os atuais responsáveis pelo Centenário.

Em 14 de junho, Jefferson Day, o jornal já tinha enrolado o pobre leitor com DEPOIMENTO PARALISA BRASÍLIA. A criatividade também foi nula, mas pelo menos economizaram uma linha.

Enquanto os editores do Jota investem no lugar-comum, os concorrentes, esses antiquados, insistem em publicar notícias.

>> Arquivo: Troféu manchete bizarra