quarta-feira, setembro 28

Clareza Zero


DESESPERO - Leitor do Centenário não entende mais nada

Os editores do Jota seguem em disputa pelo troféu de título mais incompreensível do mês. Nesta quarta-feira o Esporte saiu na frente, e logo na matéria de abertura: REPRISE DE TIME DE JOGOS À VISTA.

Depois da terceira leitura, faz-se a luz: o STJD pôs 11 partidas apitadas pelo juiz ladrão sob suspeita. Um time de futebol tem 11 jogadores. Logo, um time de jogos.

Ah, bom...

Custo e benefício


BAIXADA - Cultura para as massas

O oficial, todo mundo sabe, é o Garotinho. No entanto, assim como a governadora, o Centenário se permite algumas puladas de cerca. Uma das mais recentes é com o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindberg Farias.

O romance mal começou e já produz efeitos na distribuição de verbas de marketing do município, que tem uma das maiores concentrações de favelas do estado.

Há duas semanas, a Prefeitura de Nova Iguaçu patrocina a contracapa da revista Programa - em tese, um dos espaços publicitários mais caros do jornal.

No dia 16, o leitor do JB ficou sabendo que o município promoveu mostra de postais iguaçuanos, show do cantor Heitor Neguinho e reunião de um fã-clube do seriado Arquivo X. Na sexta passada, o destaque era a apresentação do compositor Sérgio Natureza.

Com essa programação cultural, os leitores do Centenário devem estar provocando engarrafamentos na Linha Vermelha.

terça-feira, setembro 27

O Orelhudo agradece


GRATO - Faça um banqueiro feliz

DANTAS FINANCIOU MENSALÃO.

Esta foi a manchete do Centenário de quinta-feira.

Logo acima, em letras miúdas, a ressalva:

Relator da CPI dos Correios levanta a suspeita:

Nenhum fato. Nenhuma prova. Nenhuma notícia.

O noticiário pré-fabricado do JB é mais inofensivo que a histeria da senadora petista Ideli Salvatti.

Com um inimigo desses, o Orelhudo pode dormir tranqüilo.

quinta-feira, setembro 22

Almirante quer ser brigadeiro


VOCAÇÃO - Depois de afundar o JB, Tanure quer derrubar a Varig

O Centenário deu nesta quarta-feira nova lição de como não tratar os negócios do dono. Independente desde quando não havia o divórcio, o jornal reservou a capa do caderno de Economia e uma chamada em duas colunas na primeira página ao assédio do Acionista à Varig.

Até as pedras conhecem o apetite de NT por carne de segunda. Introduzido às altas rodas pela ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, o "empresário" faz fortuna desde o governo Collor com a compra de empresas falidas. Especializou-se em adquirir esqueletos a preço de banana, demitir funcionários, driblar o Fisco e passar o negócio adiante com suculenta margem de lucro. Nas horas vagas, dedica-se à integração da família ao circuito de socialites e emergentes cariocas.

Pela foto publicada no Centenário, vê-se que o Almirante montou um circo mambembe para a apresentação. Diante de cadeiras vazias, o fio do microfone enroscando nas pernas, anunciou um plano de capitalização de US$ 360 milhões, com o investimento imediato de US$ 90 próprios na empresa. Prometeu a volta imediata de 14 aviões, a blindagem do caixa e a preservação de todos os empregos e garantias trabalhistas.

NT teve 28 linhas para defender seu projeto, conta rara para qualquer reportagem econômica. O jornal também publicou elogios de representantes dos funcionários da Varig. A presidente do Sindicato dos Aeronautas teria dito, segundo o JB, que o plano foi o primeiro "que efetivamente apresentou dinheiro com o objetivo de recuperar a empresa aérea". O presidente da Federação dos Trabalhadores da Aviação Civil teria ido além: "O projeto da Docas Investimentos se mostra o mais positivo para os trabalhadores".

Alguém devia recomendar mais cautela aos companheiros. Ou, pelo menos, a leitura de outro jornal. Se o tempo for curto, os sindicalistas podem se ater ao seguinte trecho de matéria publicada no Estado de S.Paulo desta quarta:

"Os recursos existem", disse Tanure, ao ser questionado sobre a origem e a existência do dinheiro. O empresário garante que não haverá demissões e que os trabalhadores poderão optar por receber nos próximos dois anos ações da Varig como pagamento de salário. Nos dois jornais que Tanure controla, no entanto, houve cortes de pessoal após a sua chegada, as dívidas trabalhistas não foram honradas e tramitam contra suas empresas na Justiça dezenas de processos trabalhistas.

Depois de lançar o jornal sem jornalistas, o Acionista pode estar preparando uma nova invenção: a aeromoça PJ.

segunda-feira, setembro 19

Alerta no Rio Comprido


FININHO - Meligeni quer receber direitos pelo apelido

Estão adiantadas as conversas na cúpula do JB para a incorporação de diversos suplementos da casa à revista Domingo.

O que pairava como rumor já ganhou forma e projeto gráfico, que circula entre os "empresários" que comandam o jornal.

Estão no pacote os suplementos Vida, Caderno H e Casa & Design.

Pelos planos do Acionista, os três acabam, mas seus títulos passam a enfeitar meia dúzia de páginas na Domingo - que já anda desfigurada há tempos.

Com o corte, o Centenário chegará ainda mais fininho à casa dos últimos assinantes.

quarta-feira, setembro 14

Deslumbrada


FAMOSA - A cada besteira, um flash

Anda nas nuvens a auto-estima da editora chefe do Jornal do Brasil.

Nas últimas semanas, a Dercy Gonçalves da Ponte Aérea já andava se gabando por ser reconhecida na padaria:

- A senhora não é a loura do Jô? - perguntam os populares, antes de meter os dentes na mortadela.

A um porteiro do Leme, a madame confidenciou ter recebido convite para trocar o Centenário por um quadro no Zorra Total.

- Estou estudando. Mas você sabe que esse não é o meu forte... - teria complementado a Hebe Camargo do jornalismo.

Agora a loura parece ter surtado de vez. Por onde anda, leva sob o braço um exemplar amassado de pasquim universitário.

E anuncia, em seu tom característico:

- Geeeeeente, eu dei entrevista pro Jornal da Facha!

segunda-feira, setembro 12

"Ah, ninguém vai ler mesmo"


CANSAÇO - O ministro estava com sono. Pediu ajuda ao Google

Deixe O Globo amarelar na porta. Jogue fora esse exemplar da Folha. Desista de comprar o Estado. Ignore o caderno esportivo do Dia e o jogo de panelas oferecido pelo Extra. É que o Jota desta segunda-feira está imperdível. E não só pela foto da primeira página.

A página de Opinião do Centenário - que já foi disputada a tapa por jornalistas e escritores e virou cemitério de mortos-vivos, como José Sarney, Eugenio Sales e Olavo de Carvalho - traz um artigo do ministro de Minas e Energia. Trata-se de Silas Rondeau, que ganhou o cargo em recente negociata - ops, negociação - para renovar o apoio do Jaquetão ao governo no Senado.

Para um burocrata desconhecido, um artigo em jornal do Sudeste é oportunidade rara (e cara, debocha o Doutor Brito aqui ao lado) de aparecer. Pois o Jota abriu espaço nesta segunda para o Silas - que, em vez de defender o governo, cismou em escrever sobre o horário de verão que vem aí.

- Ninguém lê o JB mesmo... - esperneou o camisa 10 do Lazaroni.

Resignado, o ministro abriu o Google e, vapt-vupt, estava pronto o artigo para o Centenário. O curioso é que todo o segundo parágrafo do texto, que faz a cronologia do horário de verão na História, já tenha saído, ipsis literis, em matéria publicada em 19 de fevereiro no inexpressivo Correio do Estado, de Campo Grande (MS).

Inexpressivo? Deixa pra lá...

>> ACREDITE SE QUISER: O artigo de hoje no JB e o de fevereiro no Correio

Marquinhos não morreu (no JB)


AMIGO CARECA - Será o Josa?

Depois de fazer sumir os funcionários, transformando repórteres e editores em empresas prestadoras de serviço, o Jota resolveu se especializar em outro milagre: o extermínio da notícia.

Ok, o fenômeno não é novo. Tampouco surpreende o leitor do Avenida Brasil, já acostumado às picaretagens que imperam no Centenário de alguns anos para cá. Mas estão exagerando na dose.

Neste sábado, o JB resolveu ignorar o assassinato do traficante Marquinhos Niterói, apontado como o braço direito de Fernandinho Beira-Mar. O bandido, que comandou o fechamento do comércio em toda a cidade em setembro de 2002, foi enforcado em sua cela no presídio "de segurança máxima" Bangu 3. Nas barbas, portanto, do governo do estado.

Segundo os jornais (os outros, claro), o crime aconteceu às 9h30. Tempo suficiente para que o Centenário tomasse conhecimento, mesmo numa redação que dispensa recursos ancestrais como o rádio de escuta policial. Também não adianta culpar a falta de espaço, vide títulos como Passeata pela ética na orla de Ipanema e Mau tempo dá trégua aos cariocas, publicados no mesmo sábado em que o Jota decidiu ignorar a notícia do dia.

Ao passarem a tesoura no noticiário, os sábios a serviço do Acionista tentaram bajular seu amigo e patrocinador-maior, Anthony Garotinho. Por tabela, prestaram serviço a outro deliqüente - o Beira-Mar - que continua queimando arquivos e mandando no estado.

sábado, setembro 10

Fora Lula! E viva o Jota!


Em nome da ética, funcionários tomam o calçadão



Depois de domingo, a orla de Ipanema jamais será a mesma.

Cerca de 100 funcionários e leitores do Jornal do Brasil, vestindo uma camiseta com os dizeres "Moralidade Já", vão percorrer a praia para protestar contra a crise política do país.

Então vê se eu entendi. Nosso digníssimo Acionista, que ano passado foi alvo de manifestações furiosas da redação na praia, agora recruta funcionários para uma passeata em nome da moralidade???

Mas isso é muito bom para ser verdade!

Como não podemos descer e conferir o agito de perto, a Condessa mandou instalar um telão na nossa nuvem. Coisa fina. Os salgadinhos já estão encomendados e a Lena Frias arrumou até uma roda de samba para animar a festa. Não vamos perder nenhum detalhe.

Para os sortudos que podem ir a Ipanema, bom divertimento.

Se cair do céu um copo de cerveja, lembrem-se: pode não ser dos prédios vizinhos. E pode não ser cerveja.

sábado, setembro 3

Amizade é isso aí, sô!


DO PEITO - "Te devo essa, Santa!"

Temperatura amena, dinheiro no bolso, fim de semana chegando. O leitor do Jota acordou feliz nesta sexta-feira. Tão feliz que se permitiu um teste de paciência: encarar a coluna do Mauro Santayana, no canto esquerdo da página dois - aquela que morreu comigo em 1991, mas os bastardos que ocuparam o Centenário insistem em repetir como farsa.

A coluna do Santa parece classificados: todo mundo sabe que vem no jornal, mas ninguém lê. Se um dia ele acordar invocado e mandar uma mensagem subversiva qualquer, tipo "tanure é safado", periga passar em branco. Mas como falta material pra fechar a editoria de política, o velhinho continua gastando papel e tinta à toa.

Mineiro cordato, jornalista veterano, o Santa ganhou seu espaço no Jota como presente de conterrâneo. Amigo de Ziraldo, chegou tarde para a partilha do Caderno B, aquele que tratava de cultura.

"Pô, Nelson, ele fica o dia inteiro no banco da Serzedelo Corrêa, nem os pombos agüentam mais... o velho foi repórter de política em 1837, arruma um lugarzinho aí pra ele!", implorou o mulato de Caratinga.

Como o Acionista é mais bondoso do que coração de mãe, arrumou.

Apesar de abrir a primeira página de reportagem do jornal, Santayana não liga muito para esse negócio de notícia. Gosta de lembrar a política do café-com-leite, os corredores do Palácio Monroe, o terceiro expediente no Hotel Serrador ("Ah, a Cinelândia do meu tempo!").

Nesta sexta, no entanto, o Santa exagerou. Leal à maçonaria mineira, a Dora Kramer da terceira idade resolveu prestar homenagem ao ex-presidente Itamar Franco. Produziu uma crônica delirante para os anais da camaradagem jornalística:

Itamar Franco traz fortes credenciais para intervir no processo sucessório. De tal maneira comportou-se na chefia do governo e do Estado que pôde restaurar a dignidade da Presidência da República e, sem apelar para o mal chamado marketing político, construiu a reputação (...) Os inimigos viam-lhe a modéstia como defeito, e a desdenhavam. Os leitores sabem o que ocorreu depois, com o desmoronamento do Estado e o abastardamento de grande parte do Congresso.

Nos últimos anos, o Itamaraty - outra mãe dos políticos nativos - bancou longas férias do ex-presidente em Lisboa e Roma. Itamar não fez prova para o Instituto Rio Branco e escolheu os postos que dispensavam a língua inglesa. Como se sabe, dedicou pouco tempo e empenho à diplomacia. Mas o velho Santa, generoso e compreensivo, deu aos leitores uma versão peculiar sobre os motivos da temporada do amigo na Europa:

Sem negócios que lhe dessem lucros e juros, e sem seguir outros, que não se acanham em montar escritórios suntuosos com o subsídio dos amigos ricos, Itamar aceitou os cargos diplomáticos que lhe foram oferecidos.

A amizade de Santayana e Itamar vem de longe. Uma foto de Orlando Brito, de 1993, ilustra bem a camaradagem entre os mineiros. Nada contra; tem repórter de polícia que freqüenta churrasco em mansão de delegado e acha que está tudo bem.

O problema é quando a amizade sincera leva o colunista a tratar seu leitor como idiota.

Micos em tempo real


PRESERVADO - "Obrigado, Jota!"

Manchete do JB Online às 19h30 deste sábado:

Delúbio evita na Justiça expusão do PT

O site informa que a última atualização foi às 17h18.
Será que eles ainda corrigem hoje?