sábado, setembro 3

Amizade é isso aí, sô!


DO PEITO - "Te devo essa, Santa!"

Temperatura amena, dinheiro no bolso, fim de semana chegando. O leitor do Jota acordou feliz nesta sexta-feira. Tão feliz que se permitiu um teste de paciência: encarar a coluna do Mauro Santayana, no canto esquerdo da página dois - aquela que morreu comigo em 1991, mas os bastardos que ocuparam o Centenário insistem em repetir como farsa.

A coluna do Santa parece classificados: todo mundo sabe que vem no jornal, mas ninguém lê. Se um dia ele acordar invocado e mandar uma mensagem subversiva qualquer, tipo "tanure é safado", periga passar em branco. Mas como falta material pra fechar a editoria de política, o velhinho continua gastando papel e tinta à toa.

Mineiro cordato, jornalista veterano, o Santa ganhou seu espaço no Jota como presente de conterrâneo. Amigo de Ziraldo, chegou tarde para a partilha do Caderno B, aquele que tratava de cultura.

"Pô, Nelson, ele fica o dia inteiro no banco da Serzedelo Corrêa, nem os pombos agüentam mais... o velho foi repórter de política em 1837, arruma um lugarzinho aí pra ele!", implorou o mulato de Caratinga.

Como o Acionista é mais bondoso do que coração de mãe, arrumou.

Apesar de abrir a primeira página de reportagem do jornal, Santayana não liga muito para esse negócio de notícia. Gosta de lembrar a política do café-com-leite, os corredores do Palácio Monroe, o terceiro expediente no Hotel Serrador ("Ah, a Cinelândia do meu tempo!").

Nesta sexta, no entanto, o Santa exagerou. Leal à maçonaria mineira, a Dora Kramer da terceira idade resolveu prestar homenagem ao ex-presidente Itamar Franco. Produziu uma crônica delirante para os anais da camaradagem jornalística:

Itamar Franco traz fortes credenciais para intervir no processo sucessório. De tal maneira comportou-se na chefia do governo e do Estado que pôde restaurar a dignidade da Presidência da República e, sem apelar para o mal chamado marketing político, construiu a reputação (...) Os inimigos viam-lhe a modéstia como defeito, e a desdenhavam. Os leitores sabem o que ocorreu depois, com o desmoronamento do Estado e o abastardamento de grande parte do Congresso.

Nos últimos anos, o Itamaraty - outra mãe dos políticos nativos - bancou longas férias do ex-presidente em Lisboa e Roma. Itamar não fez prova para o Instituto Rio Branco e escolheu os postos que dispensavam a língua inglesa. Como se sabe, dedicou pouco tempo e empenho à diplomacia. Mas o velho Santa, generoso e compreensivo, deu aos leitores uma versão peculiar sobre os motivos da temporada do amigo na Europa:

Sem negócios que lhe dessem lucros e juros, e sem seguir outros, que não se acanham em montar escritórios suntuosos com o subsídio dos amigos ricos, Itamar aceitou os cargos diplomáticos que lhe foram oferecidos.

A amizade de Santayana e Itamar vem de longe. Uma foto de Orlando Brito, de 1993, ilustra bem a camaradagem entre os mineiros. Nada contra; tem repórter de polícia que freqüenta churrasco em mansão de delegado e acha que está tudo bem.

O problema é quando a amizade sincera leva o colunista a tratar seu leitor como idiota.

2 Comments:

At 04 setembro, 2005 10:41, Anonymous Janistrakis said...

por que tiraram a nota da expusao!?

 
At 04 setembro, 2005 20:19, Anonymous Renato said...

Tá, mas vem cá: quem é a moça da foto, gente?!

 

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