Chatô made in Paraguay

Esse cabra pensa que vai me imitar? Só rindo!
O leitor remanescente do JB não precisa estudar psicologia por correspondência para entender a obsessão do Acionista, nos últimos anos, em comprar os restos mortais dos Diários Associados.
Desde que resolveu apostar alguns tostões no Centenário, o empresário baiano tem revelado, nos métodos de trabalho e na fineza de trato, a irresistível vontade de emular um escroque de outras épocas: Assis Chateaubriand.
A diferença, imperceptível apenas ao nosso personagem, é pouco mais do que ligeira. Chatô construiu um império; Tanure vive da carniça de antigos veículos, achincalhando o fio de credibilidade que lhes resta.
Na última sexta-feira, a fixação ressuscitou um gênero adormecido do nosso jornalismo e consagrado por Chatô: o editorial de difamação.
O título da peça, dirigida ao empresário que assume a presidência da ACRJ, era "Vergonha". Mas quem ficou ruborizada, ali na nuvem presidencial, foi a Condessa. Veja o porquê:
Vergonha
O Rio de Janeiro inaugura hoje uma das páginas mais tristes de sua história econômica e social. A Associação Comercial (ACRJ), entidade já capitaneada pelo patrono do empresariado brasileiro, o Barão de Mauá, é a partir de agora bastião de um dos mais excelsos representantes da decadente plutocracia carioca: Olavo Monteiro de Carvalho, conhecido bon-vivant das rodas ociosas no Brasil e no exterior.
Que belo exemplo o Rio de Janeiro dá aos jovens empreendedores do Estado e do país. Em lugar da meritocracia, de uma trajetória de geração de prosperidade e empregos, a ACRJ, do alto de seus 185 anos de existência, presta-se a um culto ao vazio.
O novo presidente tem como grande patrimônio de realizações sua presença recorrente nos conclaves de fidalgos e desocupados - movida pelo brilho de superfície; retratada pelo flash dos paparazzi. Tem-se a impressão de que a ACRJ substituiu o elogio ao trabalho pelo elogio à celebridade. A essa condição foi alçado o novo presidente pela herança e pelos amigos fátuos que amealhou ao longo da vida com a combustão do patrimônio familiar e de terceiros.
É de se lamentar que alguns membros do governo federal, desorientados na arena política, prisioneiros da ortodoxia econômica e reféns dos últimos acontecimentos que estarrecem o país, pareçam ter emprestado o seu nome ao convescote de hoje e a esse insulto ao empresariado. A ACRJ, que já pautou no passado o pensamento e a ação das classes empresariais no Brasil, é varrida para o canto escuro da irrelevância. (...)
O Centenário faria melhor, bem melhor, se informasse os verdadeiros motivos da ira de NT contra o ofendido. Algumas pistas: complexo de inferioridade, síndrome de rejeição no high society carioca, trambiques na venda do Banco Boavista e da Gazeta Mercantil.
Ao leitor, resta constatar a esquizofrenia do jornal que, apesar de publicar cinco colunas sociais diárias, ocupa sua página mais nobre para atacar um empresário com as expressões "decadente plutocracia carioca", "bon-vivant das rodas ociosas", "culto ao vazio", "brilho de superfície" e "conclaves de fidalgos e desocupados".
Para ilustrar o verdadeiro problema do Acionista, uma notinha de Ancelmo Gois publicada no site no.com.br em 14/06/2000:
Greve no golfe - O distinto Gávea Golf & Country Club resolveu tomar partido no duelo entre os empresários Olavo Monteiro de Carvalho e Nelson Tanure. Segundo um habitué, desde que começou a briga em torno do banco Boavista, Tanure anda com dificuldade de encontrar parceiro para jogar golfe no fino clube carioca.






A primeira página do Jornal do Brasil sempre primou pela criatividade. Em 14 de dezembro de 1968, usou o cantinho da previsão do tempo para denunciar a gravidade do AI-5. No outro lado do cabeçalho, estampou o aviso da censura: "Ontem foi dia dos cegos".















